O Dito-Cujo expele uma verborreia bafienta sempre que abre a boca e, nesses momentos, o seu hálito tresanda como se tivesse os dentes podres. É preciso manter dele a convencional distância social, ou mais um pouco, para não se ser envolvido no bafo fétido das suas proclamações, letais venenos que se evolam das catacumbas de Santa Comba Dão. Não se deixe a gente de boa índole iludir pela brancura dos seus dentes, pois, até as serpentes mais traiçoeiras têm um dente capaz de brilhar no escuro, o que não as impede de liquidar as suas presas sem avisar.

Entre uma e outra atoarda, o Dito-Cujo vai desfolhando a cartilha do seu putrefacto professor, Oliveira SalAZAR (o azar foi sublinhado propositadamente), ensaiando ares de estadista, na esperança de encobrir as suas verdadeiras intenções, os seus objetivos torpes. Porém, basta que alguém se manifeste publicamente contra uma injustiça, contra a discriminação duma pessoa por causa da cor da sua pele, para que lhe caia a máscara e exiba os dentes de predador. O desejo de restabelecer o império colonial, com servos e senhores, é superior a si mesmo. Então, perdendo a sua já escassa lucidez, corre a marcar uma contramanifestação, um ajuntamento de seguidores capazes de produzir uma grande berraria contra os que são contra o racismo, numa atitude de puro racismo que as suas palavras tentam desmentir em vão. Nas convocatórias, amplamente divulgadas na imprensa nacional, sugere que concentrará milhões, ainda que numa pequena praça, o que, em coerência de raciocínio, só nos pode levar a concluir que ele acondiciona os indivíduos em moldes (ideológicos), de forma a ocuparem menos espaço. Mas é pura propaganda. Na hora da verdade, aparecem meia dúzia de gatos-pingados a ulularem a canção do bandido, numa farsa de pseudo-supremacistas brancos.

Não há racismo nem nunca houve, dirá continuadamente o Dito-Cujo, para que a mentira repetida pareça ser verdade.  Garante até que nas antigas colónias portuguesas havia colonos (brancos) que acolhiam pretinhos de estimação dentro das suas próprias casas.

O Dito-Cujo é um malabarista que enterra o dente na democracia, aparentando beijá-la. Inspira-se no lobo mau que se fez passar por criatura inofensiva para que a Capuchinho Vermelho se deixasse comer. São muitos dentes a mentir.

Joaquim António Leal

Assine e divulgue Gazeta de Paços de Ferreira
Desde 1952 ao serviço da informação e da cultura
Pela defesa dos interesses do concelho de Paços de Ferreira e da sua população

Assine Gazeta de Paços de Ferreira
Assinatura anual 20,00. Com a oferta do acesso à edição electrónica, em reestruturação

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here