Autor Joaquim António Leal

Há um peixe nos nossos rios que devora os mais pequenos, fazendo-nos temer pela sobrevivência das espécies naturais da Península Ibérica. É o siluro.

Esse monstro pode atingir 2,80 metros de comprimento e pesar 120 quilos, o que faz dele um temível predador. E que o digam, não só os peixes sobreviventes, mas os familiares e amigos dos patos bravos apanhados junto ao rio enquanto procuravam alimento. Ao que parece, foi lançado na barragem de Riba-Roja, no rio Ebro, em Espanha, nos anos setenta do século passado, e a partir daí invadiu outros cursos de água, merecendo realce muito especial a sua presença no rio Tejo, onde já existirão milhares segundo alguns cálculos.

Lamentam-se os pescadores que a pescaria reduziu drasticamente, para muito menos de metade, afirmando que, nada se fazendo, em breve não haverá o que pescar no Tejo. É o eterno problema de os grandes se alimentarem dos pequenos, o que implica o extermínio de milhares destes para satisfazer os apetites daqueles. Assim, como bem disse o Padre António Vieira, mais valia que fosse ao contrário, pois, dessa forma, um único grande alimentaria imensos pequenos. Seria mais justo.

Entretanto, nos Açores, o PSD fez um acordo com o Partido-Que-Diz-O-Que-As-Pessoas-Querem-Ouvir, de forma a conseguir governar o arquipélago, dando em troca a garantia de apoiar o Dito-Cujo numa duvidosa revisão constitucional. É um novo siluro lançado às águas, desta vez não ao rio, mas ao mar, onde a contaminação tem potencial para se propagar muito mais e mais rapidamente. Dizem, no PSD, que têm tudo controlado, que só prometeram ao Partido-Que-Diz-O-Que-As-Pessoas-Querem-Ouvir o que o Dito-Cujo queria ouvir. Não mais do que isso. Lembremo-nos, no entanto, que também os que lançaram o siluro na barragem de Riba-Roja pretendiam somente criar momentos recreativos, terem a possibilidade de praticar uma pesca mais emocionante.

Atenção, pois, meus amigos, porque há siluros em terra bem piores do que aqueles que se movimentam nas águas do nosso Tejo, o qual, como se sabe, tenderá a levar inadvertidamente esses predadores dissimulados até ao centro de Lisboa.

Joaquim António Leal

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