Por
Gazeta Paços de Ferreira

11/04/2026, 9:49 h

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A Azzurra já é história

Desporto Opinião Pedro Queirós

DESPORTO

O primeiro campeonato do mundo, que me lembro de ver, ainda que pouco, foi o de 2002. O seguinte, já vi com mais atenção. O tetra da seleção italiana, numa final mais marcada pela cabeça de Zidane em Materazzi do que pela afirmação de uma geração de lendas que desfilavam na Série A.

Por Pedro Queirós

 

É por isso que me espanta que, desde aí, a histórica Itália já tenha tido oito treinadores e que não mais tenha chegado à fase a eliminar de mundiais.

 

Não passou da fase de grupos em 2010 e 2014 e nem sequer se apurou para 2018, 2022 e 2026.

 

Caso se apure para 2030, terão passado 16 anos desde a ida ao Brasil e, por isso, uma geração inteira desperdiçada…

 

Gianluigi Donnarumma é o melhor guarda redes do mundo, apareceu aos 16 anos, tem 27 e nunca marcou presença num mundial. Terá 31 anos na próxima oportunidade.

 

O que se passa? Simples. Olhemos para as opções e percebemos facilmente que a qualidade caiu a pique.

 

As empresas multimilionárias, que subsidiavam o futebol italiano nos anos 90 e inícios dos anos 2000, foram forçadas a afastar-se devidos aos escândalos, como o Calciopoli.

 

 

 

 

O desinvestimento levou à travagem no crescimento das academias e o futebol italiano acabou por cair numa preferência generalizada em jogadores feitos, mais velhos, capazes de render no imediato, ao invés de apostar na juventude e dar tempo ao talento para se afirmar. 

 

A exceção foi a conquista do Euro2020. Um título justo, mas que camuflou os problemas e fez pensar que estava tudo bem, quando os sinais eram contrários.

 

Tinham um selecionador com uma personalidade forte, Roberto Mancini, que levou a seleção italiana a um recorde de invencibilidade e conseguiu um grupo forte num plantel sem estrelas.

 

A médio prazo, esse grupo revelou-se demasiado frágil porque o auge foi curto. A renovação necessária acabou por nunca ser feita, não se criou uma base sólida vinda das seleções jovens. O futebol italiano precisava de uma reforma geral, a começar na base e a acabar no topo da pirâmide. 

 

A maior referência da seleção é o guarda redes, Donnarumma, e depois talvez se siga Sandro Tonali, que já passou por uma suspensão devido a escândalos de apostas. Quem são os outros? Barella? Bastoni? Bons jogadores, mas será que dão dores de cabeça aos adversários?

 

Cresci a ver Buffon, Maldini, Cannavaro, Pirlo, Gattuso, Totti, Del Piero e muitos outros… lendas do futebol, italiano e mundial. Nenhum da seleção atual lhes chega aos calcanhares.

 

Hoje o futebol é outro e a seleção italiana é prova disso. 

 

A Itália é tetra campeã mundial… a Squadra Azzurra já não é presente, é memória.

 

 

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