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Gazeta Paços de Ferreira

18/06/2024, 18:57 h

31

Aos pescadores

Cultura Manuel Maia

CULTURA

Rostos tristes da triste fadiga
E nada há que esta tristeza mude
É vínculo da sua faina rude
É o tributo do custo da vida.

Por Manuel Maia

 

Aos pescadores

 

Porque hoje, dia 30 de Maio, é o dia nacional dos pescadores.

 

 

 

Mar, sal, distância e preocupação,

 

Homens lutando ao perigo indiferentes

 

Lá vão lutando contra as correntes 

 

Ganhar sua vida, ganhar seu pão.

 

 

 

E lutando contra a natureza 

 

Ei-los de correntes de aço na mão 

 

Homens e forças no ganha-pão 

 

Ganhou na certeza da incerteza.

 

 

 

Manhãs frias em partidas quentes 

 

Partidas de regresso sombrio 

 

Nos pólos, homens vencem o frio 

 

No equador, as tardes ardentes.

 

 

 

Anos, meses, dias longe dos lares,

 

Passado que se verá no futuro,

 

Rostos marcados - fim prematuro 

 

Reveses são, das brisas dos mares.

 

 

 

Rostos tristes da triste fadiga 

 

E nada há que esta tristeza mude

 

É vínculo da sua faina rude 

 

É o tributo do custo da vida.

 

 

 

Muitos homens e um só viver 

 

Muitas vidas, uma só condição 

 

Todos lutam pelo ganha-pão 

 

Todos lutam para não morrer.

 

 

 

Lá vão eles sulcando os mares infindos 

 

Entregues aos destinos do seu destino 

 

Convertendo sonhos de menino 

 

Amargurando seus sonhos lindos.

 

 

 

Ora partindo para chegar 

 

Ora chegando para partir 

 

Ora esforçando por se rir

 

Ora cantando para não chorar.

 

 

 

E quantas vezes, ó vida dura!

 

Intrépido nos braços do mar 

 

Vêm os pescadores encontrar 

 

Nas águas frias a sepultura.

 

 

 

Lá longe lutam enfrentando a morte 

 

Lá, onde só a coragem tem guarida 

 

Se vence a morte perdem a vida 

 

Se vence a vida tiveram sorte.

 

 

 

Barco ao fundo, destroços, tragédias...

 

Luta que começa no continuar 

 

E termina sem principiar 

 

Vidas que ficam nas águas gélidas.

 

 

 

Pátrias, bandeiras e línguas 

 

Estranhas, ingratas e diferentes

 

Como ingrata é a vida das gentes

 

Que nos mares remedeiam suas minguas.

 

 

 

Unidos na mesma necessidade 

 

Prontos a socorrer, seja quem for,

 

Não são sonhos que vivem é o amargor

 

Da vida, da dura realidade.

 

 

 

Homens que aparentam setenta anos 

 

Já nada fazem do que faziam 

 

Já nada valem do que valiam 

 

Marcados estão por sonhos insanos.

 

 

 

Mas não têm setenta, na verdade 

 

Têm cinquenta, não fiques aturdido 

 

Vê nele um digno vencedor vencido 

 

Vê nas suas rugas marcos de saudade.

 

 

 

Sempre, sempre e cada vez mais sempre 

 

Todo o que vive tem que lutar 

 

Viva na terra ou viva no mar

 

Vive para lutar eternamente.

 

 

 

Que lute, se é lei da vida lutar,

 

Mas que lute de enxada na mão 

 

Ponha de lado espingarda, canhão...

 

E lute para viver, não para matar.

 

 

 

FINIS LAUS DEO

 

 

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