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Gazeta Paços de Ferreira

30/08/2025, 11:16 h

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Do Carregado até ao Alaska passando por Kiev

Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO

OPINIÃO POLÍTICA

Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)

 

1 - Insolitamente Serena nasceu em plena rua do Carregado. Ou melhor, a rua do Carregado foi o seu berço acolhedor. Desafiando a burocracia e a insensibilidade, dura e penosa a experiência para a sua mãe e família. Mas com final feliz, como se diz.

 

Nos gabinetes no Ministério da Saúde não haverá verdadeiramente qualquer registo dramático do nascimento de Serena. Talvez haja só um cochicho, pequeno sobressalto, uma comissão de inquérito, um desculpar anónimo. Afinal ter filhos não é obrigatório.

 

Serena (nome de tenista) nasceu. Como se nascia em séculos passados. Por uma vez o fecho de serviços de obstetrícia pareceu natural. Sempre com alternativa de um ambiente bucolicamente exterior. Parto na ambulância, parto no domicílio, parto na calçada. 

 

A rua tornou-se local de paz e conforto para Serena. Um dia, porém, Serena perceberá que cedo enfrentou desafios. Um destino. Nascer em Portugal ou nos escombros de Gaza ou baloiçando em barcaça no Mediterrâneo.

 

2 - Hackers russos teriam acedido e publicado documentos oficiais ucranianos sobre o número de mortos e "desaparecidos" no decurso da guerra desde o seu início formal de 2022. E a credibilidade dos documentos é reforçada pela identificação dos ucranianos e local em que morreram ou"desapareceram". São verdadeiramente chocantes os dados publicados. Terão morrido ou "desaparecido" cerca de 1.700.000 soldados ucranianos, um número crescente todos os anos. Estimam alguns igualmente que 8,5 milhões de ucranianos, ao serviço das forças armadas, morreram,  "desapareceram", foram feridos ou desertaram...uma tragédia sem fim à vista. A troca de corpos já ocorrida ilustra o mesmo cenário (na última, 19 russos mortos por 1000 ucranianos).

 

A ser verdade, comprovadamente verdade, e em nome do puro realismo, não resta senão à clique politica ucraniana uma rendição incondicional, arcando com as consequências da ilusão de vencer uma potência nuclear.

 

A política do até ao último ucraniano não só não é politicamente defensável como é moralmente abominável. Que Zelensky e afins queiram proteger a sua integridade física, num sobressalto de sobrevivência, percebo. Que lideres europeus da NATO sintam o chão a abrir, tornando-os agentes e cúmplices de uma carnificina, compreendo. Mas mais mortes inúteis, de ambos os lados, NÃO.

 

3 - A Cimeira do Alasca, pela sua realização, localização, intervenientes e razões próximas, só por si só é um acontecimento importante e decisivo muito para além dos seus resultados. A um mundo a caminhar para um abismo irracional servirá sempre momentos de reflexão e de diálogo,  oportunidades para consensos. Estamos todos cansados de percepções, incompreensões, inevitabilidades, destinos irreversíveis. Uma nova Ordem Política e Económica está  a nascer e o parto deixa potências do passado em fase de angústia.

 

 

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