Por
Gazeta Paços de Ferreira

21/06/2024, 10:48 h

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É preciso ensinar a sentir…

Educação ROSÁRIO ROCHA

EDUCAÇÃO

A Escola tem que voltar a ser mais humana e a ensinar os valores da Humanidade.
É urgente ensinar a sentir…

Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)

COMENTÁRIO - EDUCAÇÃO

 

 

Hoje não vou falar sobre Educação, embora também seja sobre Educação.

 

 

Acabei de perder a minha avó. A minha avó viveu a módica quantia de 96 anos. Foram muitos, mas quem já perdeu alguém sabe que queríamos sempre mais um bocadinho.

 

 

Por coincidência, hoje ao abrir uma rede social vi uma publicação de um amigo meu, o Jorge Rocha, e foquei-me em três frases que ele escreveu e que passo a citar: “É preciso ensinar a pensar. É preciso ensinar a sentir… A Humanidade entra pela porta da educação.”

 

 

Ora, a Sociedade precisa de se voltar a focar no essencial e o essencial são mesmo os valores, os sentimentos, a valorização do Ser Humano.

 

 

Noutro dia em conversa com uma pessoa ligada à política, ela dizia que se houvesse uma publicação de uma pessoa desaparecida, ou a necessitar de ajuda, haveria meia dúzia de partilhas. Caso a publicação fosse de um animal, as partilhas atingiriam no mínimo as centenas.

 

 

Nada contra os animais, bem pelo contrário, desde pequenina cresci com eles. Mas a empatia com o Ser Humano teve um decréscimo abismal! E é urgente que se reverta a situação.

 

 

 

 

E é aqui que tem que entrar a Educação. A Escola tem que voltar a ser mais humana e a ensinar os valores da Humanidade. Perdoem-me, mas que se lixem os currículos e as aprendizagens curriculares, se não houver Humanidade. Temos que voltar a olhar para as pessoas, voltar a fomentar as relações humanas, começar a fugir do individual.

 

 

Hoje a vida aprisiona-nos num trabalho horas a fio e na correria do dia a dia há uma franja da Sociedade muito esquecida: os idosos.

 

 

Sempre tive um carinho muito especial pelos mais velhos, talvez porque me faziam lembrar a minha Avó. Sempre tentei realizar algumas atividades entre a Escola e o Centro de Dia, precisamente porque sei o quão importante é para eles o contacto com os mais novos. Mesmo assim, sei que é muito pouco o que faço. Temos que fazer muito mais!

 

 

Não se ensina a valorizar os mais velhos simplesmente com palavras: ensina-se com ações.

 

 

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E é aqui que entra a Educação: é urgentíssimo que se façam intercâmbios reais entre as várias gerações, especialmente as dos extremos- infância e terceira idade. Realizar atividades sistemáticas entre ambas, em contexto escolar, não para ensinar a valorizar, mas para desenvolver a valorização intrínseca, para que dentro de cada um cresça o sentido de pertença, o sentido de valor a quem tanto tem! Se a Escola for mais Humana, a Sociedade tornar-se-á mais Humana, porque as sementes darão frutos a médio prazo.

 

 

É urgente ensinar a sentir…

 

 

 

 

Hoje sinto que perdi uma referência para mim, e para toda a família. Era a matriarca, era o sinal de fortaleza, mesmo com as suas fragilidades, era a guerreira! Sei o quanto fui abençoada por a ter na minha vida tantos anos, por privar com ela desde que nasci, por estar sempre presente na minha vida. Mas também ela foi abençoada pela família que formou e pelo acompanhamento que sempre teve.

 

 

E, também em honra dela, sei que preciso começar a semear nos meus pequenitos a ligação aos mais velhos. Temos que começar a trilhar esse caminho…só assim, quando lá chegarmos, poderemos colher os frutos.

 

 

“Nunca te esqueças de mim…” era o que me dizia a minha avó, quando se sentia mais frágil e a temer o fim. Sei que nunca a vou esquecer, enquanto viver nas minhas memórias, mas viverá também em cada velhinho com quem eu privar, em cada velhinho que eu conseguir acarinhar ou ajudar.

 

 

É urgente ensinar a sentir…

 

 

 

 

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