25/10/2026, 0:00 h
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Opinião Opinião Politica Partido CDS/PP
OPINIÃO POLÍTICA
Por Óscar Leal (Deputado da AM Paços de Ferreira pela coligação MAIS)
Independentemente de se concordar ou não com as reivindicações dos manifestantes, há uma realidade difícil de ignorar: até ao momento, o que vimos foram manifestações pacíficas. Não vimos atos de vandalismo contra propriedade pública ou privada. Não vimos discursos violentos, racistas ou xenófobos. Não vimos confrontos com as autoridades.
O que vimos foram cidadãos a manifestarem-se por uma causa que consideram importante.
No entanto, ouvimos repetidamente que estas iniciativas estão a violar a lei. A questão é simples: qual lei?
Não estou a afirmar que não exista qualquer ilegalidade. Apenas constato que ouvimos políticos, comentadores e responsáveis policiais afirmar que a lei está a ser violada sem que, para o cidadão comum, fique claramente explicado qual o enquadramento legal concreto dessas acusações.
Segundo a PSP, existem irregularidades relacionadas com acampamento não autorizado, ruído e até com a própria lei que regula o direito de manifestação. Os manifestantes, por sua vez, garantem que não estão a violar qualquer norma.
Não sei quem tem razão.
Mas sei que a dúvida existe e que merece ser esclarecida.
Porque uma coisa é certa: o direito à manifestação continua a ser um dos pilares fundamentais de qualquer democracia saudável.
Desde que se mantenha dentro dos limites do respeito, da não violência e da convivência democrática, deve ser protegido e valorizado.
É precisamente aqui que surge o equilíbrio imperfeito.

Por um lado, existe a obrigação do Estado e das forças de segurança em fazer cumprir a lei.
Por outro, existe o direito dos cidadãos de se manifestarem publicamente, sobretudo quando o fazem de forma pacífica.
E é aqui que começam as perguntas incómodas.
Deve uma manifestação pacífica ser interrompida por não cumprir determinadas regras administrativas?
Até que ponto a aplicação rigorosa da lei deve prevalecer sobre o exercício de direitos fundamentais?
E quando não existe violência, destruição ou ameaça à ordem pública, qual deve ser o grau de tolerância de um Estado democrático?
A intervenção da PSP no Porto, durante a madrugada, relançou precisamente este debate.
Não discuto aqui a legalidade da operação. Questiono apenas se essa será sempre a melhor resposta para situações desta natureza.
Porque a democracia não se mede apenas pela existência de leis.
Mede-se também pela forma como as aplica.
No fundo, talvez a verdadeira questão não seja saber quem tem razão.
Talvez a verdadeira questão seja perceber onde termina o direito de protestar e onde começa o dever do Estado de impor limites.
E talvez a resposta nunca seja tão simples como alguns gostariam de fazer crer.
Esse é, afinal, o equilíbrio imperfeito.
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