22/05/2026, 11:13 h
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Educação Opinião ROSÁRIO ROCHA
EDUCAÇÃO
Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)
Anos dourados
Dizem que os 50 anos são os novos 30… e dizem outras coisas mais. Penso que o que vão dizendo sobre a idade é para que não se pense muito que na realidade estamos a envelhecer.
Quem tem 50 anos já não é jovem, nem é velho: é um assim-assim. O corpo tem já bastantes marcas do tempo, ainda que se procure disfarçar das mais variadas formas. A forma física é o que é: melhor se o corpo foi sendo cuidado, pior se houve alguns descuidos.
Mas além da forma física, há todo um conjunto de características psicológicas. E, sem dúvida, sabemos que há velhos com 30 anos e novos com 70, tendo tudo a ver com o espírito com que se leva e vê a vida.
Mas voltando aos 50 anos… Regra geral, penso que nesta fase já se alcançou a maturidade, a liberdade e o equilíbrio necessários para se viver uma vida mais plena, onde se passam a valorizar outras questões, como, por exemplo, a qualidade de vida e as relações que nos acrescentam ou que descartamos.
Entra-se nos anos dourados, em que se celebram conquistas e histórias vividas e acumuladas ao longo dos anos.
Balanço
É quase inevitável fazer um balanço quando se chega aos 50 anos. Valeu a pena chegar até aqui? Foi um caminho de sucesso ou nem por isso?
Também faço esse balanço.
Já não sou a menina das trancinhas que corria nos caminhos da aldeia de Quinhão, em Tendais- Cinfães, nem a menina que na juventude percorria a serra do Montemuro com a sua motinha Casal de Duas. Não sou a menina que ajudava nos trabalhos do campo, nem que trabalhava nos cafés e restaurantes nas férias da escola. Não sou a menina do grupo de jovens da igreja, do grupo de leitores ou a catequista. Muito menos sou a menina do rancho, onde dancei 12 anos.

Deixei toda essa vida para trás e tornei-me professora há quase 29 anos. Saí da minha terra e adotei Paços de Ferreira como nova casa. Já passaram pelas minhas mãos centenas de alunos, com os quais cresci muito e certamente também cresceram comigo. Abracei a mais linda profissão do Mundo e continuo a desempenhá-la com paixão e sentido de missão. Mas foi em Paços de Ferreira que nasceram as duas mais belas obras de arte: os meus filhos! Foi aqui que eles nasceram, cresceram e se tornaram dois belos adultos.
Um poeta cubano dizia que uma pessoa devia fazer três coisas na vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Plantei várias árvores e escrevi alguns livros com os meus queridos alunos e tive dois filhos.
Será que tenho a minha missão cumprida? Não! Tenho muito mais a realizar, muito mais caminho a percorrer. E continuo cheia de energia e vontade de continuar a fazer o que mais gosto.
Comemorar a vida
Comecei por escrever que anseio sempre fazer anos. Este ano comemorei em grande: com todos os meus amigos e colegas de trabalho, aqueles com quem passo a maior parte do meu tempo. E foi uma comemoração muito especial.
Depois comemorei com a minha família: a família de sangue e a família de coração. Como é bom chegar aos 50 anos e ter todas as pessoas especiais ao nosso lado: pais, irmãos, filhos, outros familiares e amigos que a vida nos deu e que adoçam a nossa vida.
Que sorte poder celebrar a vida com quem eu amo e com quem me ama! Que sorte poder celebrar a vida com amigos e família! Que sorte poder viver com um sorriso nos lábios quase constante!
E, quase a terminar esta nota pessoal, quero partilhar convosco que esta fase foi de comemoração e agradecimento. Comemoro/celebro e agradeço em simultâneo tudo o que a vida me deu e tudo o que conquistei. Sinto-me uma pessoa realizada em todos os aspetos e tenho já uma vida repleta de momentos felizes.
Agradeço a todos os que me rodeiam, a esta Terra que me acolheu e me permitiu crescer. Cá continuarei cheia de sonhos para realizar e com vontade de trilhar os caminhos que me estejam destinados ou que eu pretenda percorrer.
Celebro e agradeço também convosco que me leem e com quem vou partilhando as minhas ideias: obrigada!
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