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Gazeta Paços de Ferreira

02/08/2026, 0:00 h

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NUM PAÍS NORMAL…

Opinião Opinião Politica Partido CDS/PP

OPINIÃO POLÍTICA

Num país normal, eu não estaria a escrever isto. Estaria a beber um café, a discutir futebol ou a reclamar do calor — essas coisas que nos ocupam quando as instituições funcionam e os ministros não se transformam em personagens de novela. Mas, infelizmente, não estamos num país normal. Estamos num país onde a ética, a transparência e o carácter parecem ter entrado de férias prolongadas, sem aviso prévio.

Por Óscar Leal (Militante do CDS de Paços de Ferreira)

 

Falo, claro, dos dois episódios que envolveram o ministro da Educação (ME) e o ministro da Administração Interna (MAI). E, apesar da comoção geral, das mesas redondas televisivas e dos especialistas que aparecem sempre com a certeza pronta, eu continuo a achar que o caso do MAI é muito mais grave. Muito mais grave mesmo. Daqueles que, num país normal, já teriam dado direito a demissão com transmissão em direto.

 

 

O ME: o reformador que tropeçou no próprio entusiasmo

 

O caso do ME é quase uma peça de teatro: um ministro entusiasmado com a missão reformista, empurrado pelo primeiro‑ministro, decide avançar com mudanças que afetam 160 mil alunos, milhares de famílias e, por arrasto, um milhão de pessoas que só queriam que o ano letivo acabasse sem dramas. Mas eis que surge a arrogância, a prepotência, a falta de senso e aquela habilidade política digna de alguém que nunca jogou xadrez.

 

É grave? É. É irritante? Bastante. É crime? Não me parece. É falta de ética ou carácter? Também não. É só… má gestão embrulhada em excesso de confiança.

 

E, apesar de tudo, não acho que deva sair já. Primeiro, que resolva o que estragou. Depois, logo se vê. Curiosamente, alguns professores dizem que a reforma até é “interessante, necessária e mais justa para os alunos”. Quem diria.

 

 

 

 

O MAI: aqui, sim, o país normal teria puxado o tapete

 

O caso do MAI, esse sim, tem outro cheiro. Cheiro a coisa séria. Cheiro a possível crime, a falta de ética, a opacidade, a carácter posto em causa. Aqui não estamos a falar de um ministro que tropeçou — estamos a falar de alguém que pode ter mexido em coisas que não se mexem. E quando isso acontece, num país normal, o ministro não espera pela noite para apresentar a demissão. Vai logo.

 

Este caso não afeta um grupo específico. Afeta todos os portugueses, quase 11 milhões de pessoas. E, no entanto, vemos uma estranha delicadeza na abordagem política. O PS fala como quem pisa gelo fino. O Presidente da República parece estar a medir cada sílaba com régua e esquadro. E quando há tanto cuidado, tanta hesitação, tanta palavra embrulhada… talvez seja porque a situação é mesmo grave. Daquelas que fazem tremer instituições que deveriam ser intocáveis.

 

 

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