28/02/2026, 0:00 h
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OPINIÃO POLÍTICA
Por Sílvia Azevedo (Presidente MS-ID Paços de Ferreira)
Aproxima-se o dia 8 de março e, todos os anos, repetimos as mesmas palavras, urge igualdade, direitos, equidade... Fazemos sessões solenes, publicamos fotografias inspiradoras, citamos mulheres extraordinárias e mostrámos solidariedade. E apesar de isso ser, infelizmente, ainda importante, há uma pergunta que me inquieta… que sentido tem celebrarmos o dia 8 de março, quando tantas continuam a viver na fragilidade?
Falo das mulheres que conheço e das que desconheço. Não são um conceito abstrato. Têm rosto.
São as assistentes operacionais que abrem escolas, as técnicas das IPSS que cuidam dos “nossos”, as funcionárias que nos atendem nas lojas e que passam o dia em pé, as educadoras que moldam o futuro das nossas crianças... E são tantas! Cumprem horários, pagam impostos e ainda assim, chegam ao fim do mês sem saber como vão pagar a renda, a creche, a alimentação, a luz ou os medicamentos.
As estatísticas dizem-nos que as famílias monoparentais na sua esmagadora maioria estão entre as mais vulneráveis.
Celebrar o Dia da Mulher sem falar de salários é confortável, mas é injusto!
Há uma contradição que me incomoda profundamente. Elogiamos as mulheres pelo cuidado, pela resiliência, pela capacidade de “dar conta de tudo”, de cuidar do outro e de assumir todos os papéis sociais que as mesmas assumem na vida de muitos.

Sinto que transformámos a sobrevivência sempre num elogio. Mas atenção, sobreviver não é o mesmo que viver com dignidade. São “elas” que assumem a maior parte das responsabilidades familiares e que trabalham nos piores setores.
Quando uma mulher não consegue pagar uma casa sozinha, isso não é apenas um problema económico é um problema de independência. Quando recusa uma oportunidade de trabalho, porque não tem com quem deixar um filho, isso não é uma escolha livre é uma limitação. Quando trabalha a tempo inteiro e continua dependente de outros, isso não é igualdade é desigualdade.
Por isso, este 8 de março não me basta a celebração simbólica. Quero que seja um dia de desconforto. Um dia em que olhemos para as mulheres que seguram as nossas comunidades e perguntemos se estamos a dar-lhes as condições que merecem?
A igualdade não se mede apenas no acesso às profissões de topo. Mede-se no salário ao fim do mês. Mede-se na possibilidade de viver sem medo de uma despesa inesperada. Mede-se no direito ao descanso, ao tempo, à escolha.
Enquanto houver mulheres que trabalham todos os dias e continuam sem conseguir ser autónomas, o Dia da Mulher será sempre mais uma denúncia do que uma celebração.
Bem, talvez seja esse o seu verdadeiro propósito. O de lembrar-nos que a luta não é simbólica, mas sim concreta, quotidiana e urgente.
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