16/10/2026, 16:59 h
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Opinião
“Entrei e não pude deixar de reparar numa criança a ler um livro!” O espanto deste amigo numa sessão solene de um jornal a comemorar 125 anos (O Concelho de Estarreja) tem de facto um significado interessante. O ‘normal’ seria a criança, que tinha nove anos, estar ‘agarrada’ a um tablet, a entregar-se com o nefasto vício de jogos.
Alguém dizia que as crianças estão a notar a diferença entre o que vêm num ecrã e no papel.
Contaram-me um outro exemplo. O de uma criança, que estava a celebrar dez anos. Foi-lhe dito que a sua foto ia ser publicada na rede social Instagram e no jornal impresso da terra. A resposta da criança foi determinante: no Instagram sim, no papel não! Porquê, foi questionada. “Na escola todos vai ver, não quero”. “Mas no Instagram também vão ver!” A criança guardou-se no silêncio, mas irredutível quanto à publicação da sua foto de aniversário no jornal impresso.
Busquei na IA estudos recentes sobre a forma como as crianças sentem o jornal impresso. “Com curiosidade, fascínio e uma sensação de descoberta, vendo o papel físico como um objeto tátil diferente das telas do dia a dia.
O estudo reflete também o pensamento dos educadores. “O objeto físico funciona como uma ponte para afastar os mais pequenos do consumo passivo e solitário de ecrãs, estimulando o diálogo coletivo.”
Bem, parece que as prejudiciais telas de um ecrã refletem nas crianças a ideia de que são imagens que passam e ninguém recorda. Enquanto no papel ‘fica ali’ e todos vão vendo.
Interessantes reflexões sobre a percepção dos ‘adultos do futuro’ sobre o veículo de leitura preferencial.
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
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