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Gazeta Paços de Ferreira

21/06/2026, 0:00 h

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OPINIÃO POLÍTICA

Fruto da elevada oferta habitacional que existirá no nosso concelho, é expectável que tenhamos um crescimento populacional significativo no decorrer dos próximos meses/anos. Esta realidade é um facto e exige uma resposta séria por parte de quem governa.

Por Miguel Pereira (Presidente do Partido Social Democrata de Paços de Ferreira)

 

O problema não está no crescimento em si, está sim, na ausência de planeamento para responder às consequências desse crescimento. Durante anos, não foram definidas linhas orientadoras capazes de preparar o concelho para este aumento da população.

 

É por isso legítimo perguntar: estamos preparados para receber mais habitantes? A resposta é, infelizmente, preocupante. Os sinais de saturação começam a ser evidentes em várias áreas e exigem ação imediata.

 

Um dos exemplos mais claros é a mobilidade. Circular no concelho tornou-se cada vez mais difícil, com congestionamentos frequentes e uma rede viária que revela limitações evidentes. No centro da cidade de Paços de Ferreira, o problema é ainda mais acentuado. Algumas das intervenções realizadas no âmbito da regeneração urbana não tiveram devidamente em conta a necessidade de garantir alternativas de circulação e capacidade de resposta perante situações inesperadas. Recentemente, a avaria de uma única viatura na Rua Dr. Leão de Meireles foi suficiente para provocar bloqueios generalizados e criar constrangimentos ao trânsito em toda a cidade. Quando um incidente isolado consegue paralisar uma parte significativa da circulação, fica evidente que existem problemas estruturais que precisam de ser analisados e corrigidos.

 

 

 

 

Também o estacionamento continua sem respostas adequadas. Em pleno centro da cidade, continuamos a ter parques de estacionamento em terra batida, uma realidade que não acompanha as necessidades atuais nem a imagem que Paços de Ferreira deve projetar. Urge uma solução clara para o estacionamento na cidade.

 

Ao mesmo tempo, a pressão sobre os equipamentos públicos aumenta. Alguns dos centros escolares que o PS criticava no passado, encontram-se hoje a funcionar perto do limite da sua capacidade. Com mais famílias a fixarem-se no concelho, teremos inevitavelmente mais crianças e uma maior procura por escolas, serviços e equipamentos públicos.

 

Importa ainda recordar que o aumento da construção tem proporcionado à Câmara Municipal um crescimento muito significativo das receitas, com os licenciamentos, taxas e impostos cobrados. Esses recursos devem ser canalizados para investimentos estruturantes que preparem o futuro: novas infraestruturas, melhores acessibilidades, mais estacionamento, reforço dos equipamentos escolares e planeamento urbano capaz de responder às necessidades da população, entre outros.

 

Para lá das disputas partidárias normais do nosso sistema político, entendo genuinamente que a nossa terra não pode continuar a adiar as decisões de que o presente e o futuro precisam.

 

 

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