01/08/2026, 10:15 h
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Educação Opinião Opinião Politica
OPINIÃO
Por Filipe Rodrigues Fonseca (Engenheiro Informático e Dirigente do Livre Vale do Sousa)
A recente sucessão de problemas na correção dos exames nacionais mostrou exatamente o contrário. Entre falhas na plataforma digital, atrasos na distribuição de provas, reclassificações e comunicação contraditória, instalou-se uma incerteza que nunca deveria fazer parte de um processo desta importância.
Mais preocupante do que os problemas técnicos foi a forma como foram geridos. Numa primeira fase, as críticas foram desvalorizadas e transmitiu-se a ideia de que tudo estava sob controlo. Dias depois, tornou-se evidente que existiam falhas relevantes e foi necessária uma auditoria ao processo. Governar não significa nunca errar; significa reconhecer os erros a tempo, comunicar com transparência e agir para proteger quem depende das decisões do Estado.
Há quem argumente que a maioria das provas foi corrigida corretamente. É verdade. Mas, para o aluno cuja nota determina o acesso ao curso que sonhou durante anos, um único erro basta para mudar um percurso de vida. A educação vive de confiança. E essa confiança perde-se quando os estudantes deixam de acreditar que o sistema os trata com o rigor e a imparcialidade que merecem.

Esta crise deve servir para retirar lições. Modernizar a Administração Pública é essencial, mas nenhuma inovação deve ser implementada sem testes robustos e sem envolver quem conhece o terreno: os professores. Da mesma forma, processos desta relevância exigem mecanismos independentes de controlo de qualidade e uma cultura de prestação de contas.
Não se trata de apontar culpados por conveniência política. Trata-se de exigir um Estado que funcione. Porque quando falha na educação, não falha apenas um procedimento administrativo. Falha num dos momentos mais importantes da vida de milhares de jovens.
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