26/09/2026, 10:01 h
11
OPINIÃO
Por Sílvia Azevedo (Presidente e Diretora Pedagógica do Conselho de Administração da Academia Profissional Prof. Albino de Matos)
Este fim de semana fui almoçar a Matosinhos. Seis sardinhas: 12,50 euros. Pensei em comer um petit gâteau com gelado, mas eram outros 12,50, depois olhei para uma pêra bêbada, também a 9 euros. Mas em que momento é que isto passou a ser normal?
Este é o retrato de um país onde os preços são absurdamente escandalosos, e muito mais altos do que os salários que ganhamos.
Hoje, uma lata de atum custa facilmente 1,50 euros, 500 gramas de uvas, 6 euros e um quilo de maçãs, 2,60 euros. Sim, falamos de comida. E dá mais essencial.
Comprar casa tornou-se uma miragem para muitos jovens e arrendar é incomportável para as famílias. Hoje, quem ousa comprar uma casa, vive entre a prestação, seguros, condomínio, IMI, manutenção e sei lá mais o quê!
Soma-se a água, luz, supermercado, combustível, medicamentos, roupa e, quando há filhos, como eu, a escola e tudo o resto.
Depois ouvi, na rádio, a ministra Graça Carvalho a dizer que as famílias e as empresas não poupam. Desculpem, poupar o quê e em quê?
Depois perguntamos porque é que os jovens continuam em casa dos pais, adiam filhos ou desistem de comprar casa. Talvez devêssemos perguntar antes até onde pode ir um país onde trabalhar já não garante a “vida”.

Meu povo… é urgente melhorar salários, aumentar a oferta de habitação, a preços acessíveis, não proibitivos, recuperar imóveis devolutos, olhar seriamente para o preço dos bens essenciais e reduzir o Iva do gasóleo e da gasolina.
Porque hoje põe-se 30 euros de combustível porque já não conseguimos encher o depósito e precisamos de ir trabalhar. Porque hoje, há famílias no supermercado que olham para um produto e voltam-no a colocar na prateleira. Há idosos que deixam os medicamentos na farmácia ou não conseguem pagar as suas consultas.
Por isso, no sábado pensei duas vezes, antes de pedir a sobremesa.
E não pedi.
Podia pagar? Por acaso, até podia.
Mas uma coisa é poder pagar. Outra é achar normal.
E o maior perigo talvez seja esse. Habituarmo-nos ao "anormal".
Recuso-me!
ASSINE A GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA
Opinião
26/09/2026
Opinião
26/09/2026
Opinião
26/09/2026
Opinião
26/09/2026