05/07/2026, 10:27 h
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OPINIÃO POLÍTICA
Por Célia Carneiro (Presidente de Mulheres Social Democratas de Paços de Ferreira)
Há decisões que resolvem as necessidades de hoje. E há decisões que revelam a visão que temos sobre o amanhã. A entrada em funcionamento do novo Centro de Saúde de Paços de Ferreira representa uma conquista importante para o nosso concelho. É um investimento esperado, que permitirá melhorar as condições de atendimento e reforçar a qualidade dos cuidados prestados à população. Mas todos os grandes investimentos trazem consigo novas responsabilidades. Quando um equipamento público deixa de cumprir a função para a qual foi criado, surge uma pergunta essencial: o que fazemos com esse património?
O atual edifício do Centro de Saúde não é apenas uma construção. É um espaço com história, localização privilegiada e potencial para continuar a servir a comunidade. Ignorar essa oportunidade seria desperdiçar um recurso que pertence a todos nós. Acreditamos que este momento deve ser encarado com planeamento e ambição. Antes de pensar em novas construções, devemos ter a capacidade de olhar para aquilo que já existe e perguntar: como podemos dar-lhe uma nova utilidade?
Uma das possibilidades passa pela criação de um polo integrado de serviços públicos, reunindo num único espaço diferentes valências que hoje se encontram dispersas. Para muitos cidadãos, tratar de assuntos relacionados com diferentes entidades significa deslocações sucessivas, perda de tempo e dificuldades acrescidas, sobretudo para quem tem mais limitações. A concentração de serviços poderia significar mais proximidade, maior acessibilidade e uma relação mais simples entre os cidadãos e a administração pública.

Esta reflexão não pretende antecipar decisões nem apresentar soluções fechadas. Pretende apenas defender algo que deveria ser consensual: estudar, avaliar e preparar o futuro. As cidades mais inteligentes não são necessariamente aquelas que mais constroem. São aquelas que sabem valorizar os recursos que já possuem. Reutilizar, adaptar e reinventar o património existente é também uma forma de sustentabilidade e de responsabilidade.
O futuro daquele edifício não deve ser decidido quando já não houver tempo. Deve começar a ser pensado agora. Porque governar é também antecipar. É olhar para além do imediato e criar condições para que cada espaço público continue a cumprir a sua missão: servir as pessoas. Paços de Ferreira merece decisões pensadas, participadas e com visão de futuro.
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