Por
Gazeta Paços de Ferreira

01/08/2026, 9:52 h

10

Um ministro, um empreiteiro e caldos de galinha

Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO

OPINIÃO POLÍTICA

O senhor ministro tinha uma imagem pública de rigor, honestidade, bonomia, competência. Nisso até se distinguia de seus pares no governo. Aqui e ali, vislumbravam alguns uma pitada de vaidade e de auto-convencimento. Mas no geral era estimado como um qualificado prestador de serviço público, sendo notórias as boas expetativas quando da sua tomada de posse.

Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)

 

Mas factos aparecem agora a “reformar” a imagem, o currículo. O senhor ministro, estou certo, não desconhece as leis deste País, o que seria contraditório e trágico perante as altas funções, de soberania nacional, que exerceu no passado recente e as que exerce agora. Parece sim que as ignora em causa própria. O senhor ministro procede como se fosse um cidadão normal, o que manifestamente não é, sujeito que está a um escrutínio público e mediático, que resulta também da delegação de exercício de cargos pela sociedade.

 

Entre as particularidades dos factos agora conhecidos, e a merecer cabal justificação, está a muito expressa sua especialidade em “esquecimentos” e em “poupanças”: na construção de piscina, nas madeiras para mobiliário rústico obtido em vias ferroviárias encerradas, em empresa não declarada da mulher, em construtor-amigo falido e sem alvará de construção, em autorização para desviar atrelado com bidões de químicos depositado em instalações da Marinha, etc.

 

 

 

 

Em tudo, um traço. O interesse individual e a impunidade em detrimento da jurisprudência, do articulado das leis, dos procedimentos transparentes e recomendáveis, da cautela e bom senso, aplicáveis em comportamentos e decisões. E nisto, não há meios termos.

 

A argumentação que absolve certos comportamentos no mínimo irregulares ou ilegais, alvitrando que a classe política possa sentir-se ameaçada injustamente pelo escrutínio de pequenas ou grandes decisões, é desprezível. Considerar que assim possa ser menos atrativo o exercício de cargos públicos por gente qualificada é lamentável. Há uma tribo de gente poderosa, de setores importantes, na política, na comunicação social, no patronato, que publicamente assim pensa, ausente o contexto ético.

 

O pântano de certas circunstâncias em Portugal fede.

 

 

ASSINE A GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA

Opinião

Opinião

O Ministério da Educação falhou aos estudantes

1/08/2026

Opinião

Uma “época especial” não repara o dano feito aos estudantes

1/08/2026

Opinião

Quando o sistema falha, quem paga são os alunos

1/08/2026

Opinião

A verdade vem sempre ao de cima

1/08/2026