01/08/2026, 10:18 h
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Educação Opinião Opinião Politica Partido Comunista
OPINIÃO
Por Duarte Dias (Dirigente da Sub-Região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do Partido Comunista Português)
O Governo e o ministro da Educação são os principais responsáveis: impuseram um sistema de correcção digital que já tinha falhado num projeto-piloto e alargaram-no sem testes suficientes. Quis-se correr antes de andar e quem caiu foram os alunos, enquanto os professores levavam com as culpas.
Os factos são evidentes: entregas tardias de códigos, convocatórias confusas de avaliadores, distribuição defeituosa de enunciados, falhas recorrentes da plataforma, pautas em dias distintos, notas “suspensas” sem explicação, classificações alteradas após divulgadas.
Perante os erros, o ministério primeiro suspeitou dos professores, como se a culpa fosse de quem se desdobrou para salvar o impossível; depois, criou uma “época especial” que é apenas um remendo, sem garantir que a segunda fase não repetirá o descalabro.
Mas a questão vai além da incompetência técnica. Insere-se no desmantelamento do Ministério da Educação: extinção de entidades com décadas de experiência, despedimento de centenas de trabalhadores e subcontratação a privados com critérios opacos. É a velha cartilha neoliberal – Estado mínimo, serviços públicos fragilizados, portas abertas ao mercado. Os resultados estão à vista.

Para nós, não é uma questão de nomes, mas de políticas. A demissão do ministro não resolve se o rumo de desinvestimento se mantiver. Por isso defendemos o fim dos exames nacionais como barreira ao acesso ao Ensino Superior e como factor de desvalorização da avaliação contínua – uma exigência que ecoa nas escolas e nos movimentos estudantis.
A confiança no sistema está abalada. Os alunos foram cobaias; os professores, vítimas de suspeições infundadas.
Exigimos responsabilização efectiva do Executivo, apoiando a comissão de inquérito. Mas urge repor o princípio de que o ensino não é um laboratório de experiências. Nenhum aluno deve pagar, com taxas ou incertezas, os erros de quem devia garantir estabilidade.
O futuro de uma geração não pode ficar refém de incompetências evitáveis nem de opções que privilegiam o lucro. O caos nos exames é sintoma de um Estado que se demite e entrega a educação ao mercado. Continuaremos a lutar porque a educação é um direito, não um negócio.
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