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Gazeta Paços de Ferreira

11/04/2026, 10:09 h

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A cultura no tempo presente

Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO

OPINIÃO POLÍTICA

O propósito curricular de retirar dos livros de leitura obrigatória nas escolas obras de José Saramago (O Ano da Morte de Ricardo Reis e o Memorial do Convento) é um sinal dos tempos e que traduz, em última instância, a submissão objetiva das orientações governamentais à agenda política e cultural da extrema direita.

Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)

 

Na Câmara de Lisboa, o exemplo da demissão de Rita Rato de Diretora do Museu do Aljube e da Resistência e de Francisco Frazão de Diretor do Teatro do Bairro Alto não retira quaisquer dúvidas dos tempos sombrios, perturbadores e perigosos em que vivemos. E mais preocupado fico como um inigualável pensamento crítico, Prémio Nobel da Literatura e único português assim laureado foi destratado soezmente por uma senhora da Associação de Professores de Português que rejubilou com essa medida por a leitura de Saramago ser “difícil” para os estudantes, nomeadamente por ausência de pontuação. Ressalva-se, contudo, a retificação mais sensata posterior do Presidente dessa Associação.

 

Mas esta deriva totalitária, que se manifesta aqui pela mão de Montenegro e Moedas, ao toque de caixa de Ventura, tem fora das fronteiras os verdadeiros mentores. E são claras as intenções de um revivalismo que, se expressa não só em áreas da Cultura como em políticas sociais, ou em políticas de integração europeia ou de emigração. Mas sobretudo é com a guerra e as peripécias de uma velha ordem internacional, que se extingue com uma violência irracional, com um protagonista boçal e inculto, que se quer ser rei e a liderar um império fora do tempo.

 

 

 

 

E se há homens da Cultura, que reagem com coragem e assertividade à verocidade das cadeias mediáticas, que reproduzem e defendem a ideologia dos interesses do grande capital norte-americano, há também a colonização dos governantes europeus, sempre prontos a absorver as mediocridades além mar.

 

Há exemplos de uma podridão cultural anexa, que não desmerecem Moedas, mesmo que com uma linguagem de causa identitária ou mesmo esquerdista. Na Universidade de Yale há uma revisão profunda do curso de Arte do Renascimento à Atualidade. Em Oxford, a Comédia de Dante é interpretada como homofóbica, racista e anti-judaica. No Museu Britânico foram retiradas referências à Palestina na Exposição ao Médio Oriente Antigo. Gaugin, em França, é agora considerado como um pedófilo com mentalidade colonialista. E até o beijo com que o Príncipe acordou a Branca de Neve é criticado por não ser consentido.

 

É, portanto, este o estado da Cultura em todo o mundo que se aproxima muito da Espanha do general Millan Astray com o Viva la Muerte!

 

 

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