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Gazeta Paços de Ferreira

24/01/2026, 0:00 h

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A importância do contrapeso democrático

Opinião Opinião Politica

OPINIÃO POLÍTICA

Publicado na edição impressa n.º 2658 de 15/01/2026 da Gazeta de Paços de Ferreira.

Por Filipe Rodrigues Fonseca (Engenheiro Informático e Dirigente do Livre Vale do Sousa)

 

No domingo, os eleitores são chamados pela quinta vez às urnas nos últimos dois anos. E se as repetidas eleições são, habitualmente, um sinal de um estado político fraturado, estas eleições não fogem à regra. A única vez que Portugal teve uma segunda volta nas eleições foi em 1986, e nem nesse ano havia tantos candidatos à segunda volta como neste. Com tantas parelhas possíveis para dia 8 de fevereiro, a expectativa sobre os resultados aumenta.

 

Pela primeira vez na democracia, há a possibilidade de duas candidaturas de direita estarem presentes na segunda volta. Isso revela a viragem drástica do espetro político que, ainda há três anos, estava representado por uma maioria absoluta de esquerda. Este desgaste da esquerda portuguesa atual demonstra a necessidade de uma reinvenção da mesma: novas caras, formas de comunicação e contacto com a população são essenciais para um rejuvenescimento da mesma.

 

 

 

 

A eleição de um candidato de direita revelaria a falta de contrapeso democrático necessária mais do que nunca. Atualmente, um partido único controla o governo, governos regionais e as principais câmaras do país. A eleição de um candidato da mesma área política facilitaria a passagem de leis mal formuladas em prol da sua ideologia. Tal como numa equipa de futebol, se todos os jogadores forem laterais direitos, não só não se constroem jogadas eficazes como não haverá ninguém a proteger a baliza. E se a posição de guarda-redes, que é a última barreira de defesa antes da equipa sofrer um golo, for ocupada por mais um lateral direito, então os resultados não se prevêem positivos.

 

As presidenciais não revelam apenas um desgaste da esquerda atual, mas também um desgaste das estruturas partidárias. Todos os candidatos-revelação nestas eleições apresentam-se como apartidários e fogem dos seus passados políticos como um gato foge da água. As constantes idas às urnas, instabilidade política e falhas atuais na maioria dos serviços levam a população a revoltar-se com os partidos que habitualmente ocupam o poder, facilitando argumentos para o voto de protesto ou para um crescimento do sentimento de indiferença perante quem chefia o país.

 

Os poderes de veto e dissolução do parlamento são essenciais para a manutenção de uma democracia, hoje fragilizada, que deve ser o contrapeso democrático do governo. Numa época em que o desgaste dos partidos é evidente, garantir uma pluralidade saudável reforça a discussão política e impede o crescimento de forças nefastas.

 

 

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