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Gazeta Paços de Ferreira

13/03/2026, 0:00 h

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Dia Internacional da Mulher

Educação Opinião ROSÁRIO ROCHA

EDUCAÇÃO

Publicado na edição impressa n.º 2661 de 26/02/2026 da Gazeta de Paços de Ferreira.

Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)

 

O Dia internacional da Mulher é comemorado anualmente no dia 8 de Março. A ideia surgiu nos Estados Unidos no longínquo ano de 1909 e foi-se expandindo por vários países. Teve origem na luta por melhores condições de vida e de trabalho, bem como no direito ao voto feminino.

 

Em 1975 a ONU definiu o dia 8 de Março como o dia Internacional das Mulheres e a data é comemorada em cerca de 100 países, nos quais se inclui Portugal.

 

Na realidade, percebemos que a data surgiu pela necessidade de promover a igualdade de condições do sexo feminino relativamente ao masculino. Sabemos bem qual o papel da Mulher na Sociedade no passado.

 

E atualmente?

 

Nos dias de hoje continua a ser comentado sistematicamente o tema “Igualdade de Género”. Até nas escolas fazia parte do currículo, tema que “enervava” e “fazia comichão” a alguns setores políticos, que procuraram desvirtuar a temática, procurando ligá-la à “Identidade de Género”, confundindo os mais desatentos.

 

Pois bem, quando se fala em Igualdade de Género, fala-se na pretensão de que não hajam desigualdades sociais, de direitos e oportunidades, entre o sexo feminino e masculino, apesar das diferenças biológicas de ambos os sexos.

 

Porque será que continua a ser necessário falar e debater o tema, passados tantos anos? Porque será que ainda é necessário Ensinar (ou tentar ensinar) a Igualdade de Género? Porque será que não devemos ceder à opinião de “partidos” políticos que acham que o assunto não deve ser falado nas escolas?

 

Será porque ainda temos muito caminho para percorrer no que à Igualdade de Género diz respeito? Talvez seja porque não podemos regredir, mas devemos continuar a insistir que Homens e Mulheres são ambos seres Humanos, de carne e osso, que embora com funções biológicas diferentes, podem e devem ser tratados com igual respeito, com iguais oportunidades, pois nenhum deles é uma espécie inferior.

 

Desigualdades básicas

 

Infelizmente, com alguma pesquisa, facilmente descobrimos que o género feminino continua a auferir salários mais baixos e a ter uma sobrecarga de trabalho enorme. Continuamos a perceber as desigualdades de oportunidades, e um dos casos mais flagrantes é a necessidade de se ter inventado uma lei da paridade para que as mulheres sejam inseridas na vida política.

 

 

 

 

Em casos mais específicos, e que a mim pessoalmente me causam urticária, ainda se continua a olhar frequentemente para a Mulher como “um pedaço de carne”. Um pedaço que não se pode vestir como gosta, porque se põe a jeito; que está sujeita a bocas porquinhas como “comia-te toda”; que continua a ter um lugar especial: a cozinha e a casa, que na maioria dos casos continua a ser sua responsabilidade, ainda que trabalhe mais horas fora de casa do que o marido. Ah: e já nem se fala na questão de que, no que concerne aos relacionamentos de possa ter, se forem vários passa a ser uma “suína”, para não usar outro termo, enquanto o Homem, na mesma situação, é o garanhão da zona. E aqui assumo que, por norma, as mulheres são as principais críticas das outras mulheres, o que, enfim… Tenho uma opinião pessoal para isso: o facto de criticarem as outras, é mesmo para que alguém as valorize por serem um exemplo e pela sorte que tem quem “as tem”…(mesmo que, na realidade, ou na privacidade, tenham menos virtudes …e talvez felicidade genuína, o que pode representar alguma invejazinha).

 

Dia da Mulher

 

Faz sentido comemorar o Dia da Mulher? Talvez faça, mas não da forma que é comemorado. Tal como faz sentido comemorar o Dia da Mãe, mas também não da forma que se comemora atualmente. Do meu ponto de vista, tudo virou comércio: almoços e jantares fora, ramos de flores, pequenos-almoços num dos 365 dias…Penso eu que nenhuma Mulher ficará satisfeita por ter uma vida de “princesa” num dos 365 dias do ano, quando nos outros 364 leva vida de “escrava”. Reconheça-se o papel da Mulher, tal como o papel do Homem, em todos os dias do ano. Respeite-se de igual forma, e ensinem-se os filhos a tratar de forma igualitária ambos os géneros; ensinem-se com exemplos e não só com palavras.

 

Sendo quase impossível erradicar a violência entre géneros, reduza-se, pelo menos, para que não hajam tantas agressões físicas e psicológicas entre casais, para que não haja tanta violência doméstica, para que nenhuma mulher seja morta pelos parceiros, porque ainda é vista muitas vezes como um objeto pessoal que tem dono…

 

Eduque-se para que a pessoa Humana, seja de que género for, tem direito às suas próprias escolhas e tem direito a ser livre.

 

Quando a Sociedade conseguir tratar Homens e Mulheres como Seres iguais nos direitos e deveres, aí sim: comemore-se o Dia da Mulher, pelas conquistas alcançadas numa longa luta e pela evolução da Humanidade!

 

 

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