25/04/2026, 9:39 h
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Opinião Opinião Politica Partido Socialista
OPINIÃO POLÍTICA
Por Sílvia Azevedo (Presidente MS-ID Paços de Ferreira)
Abril, ensinou-me o conceito de liberdade. Por estes dias, em Paços de Ferreira, tive a honra de ouvir, numa palestra, um amigo de longa data. Esse mesmo amigo em tempos distinguido pelo Presidente da República, Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, falou sobre Práticas de Inclusão e Empregabilidade. Com ele vivi muitas dessas práticas. Algumas dessas experiências culminaram em finais felizes, enquanto outras, por má sorte e ou fé, resultaram em infortúnio. A sua oratória evocou-me memórias daqueles tempos em que lutávamos conjuntamente por um “abril” para todos. Eram tempos de inquietação.
Depois de o ouvir, recordei vidas que nunca chegaram verdadeiramente a iniciar-se. Famílias inteiras que permanecem, ainda hoje, presas à exclusão, de geração em geração, habituadas à escassez de tudo e mais alguma coisa. Não por escolha, mas por falta de alternativas. Tempos de inquietação.
São pessoas que crescem em contextos complexos, frágeis, onde o acesso à educação, à formação e às oportunidades não são equitativas. Diria, mesmo, o ponto de partida não é uniforme, o invocar o mérito como uma única medida de sucesso é ignorar a realidade em que todos vivemos. Tempos de inquietação.
Vivemos em democracia, mas a democracia, hoje, permanece muito distante, diria quase ilusória. Os direitos consagrados na Constituição Portuguesa continuam a não se traduzir na vida concreta de muitos. Tempos de inquietação.
Ao ouvi-lo, comprovei que as políticas sociais continuam a ser insuficientes para quebrar os ciclos de pobreza. Ainda existe um Estado que, em vez de capacitar, aprisiona e perpetua a pobreza. Tempos de inquietação.
É no contexto de incerteza que proliferam os discursos potencialmente prejudiciais. A extrema-direita não emerge de forma espontânea, prospera na frustração, na desigualdade e na sensação de abandono. Tempos de inquietação.

Atravessamos uma fase de instabilidade económica, relacional e social, que altera a nossa perceção do “outro”. O conflito inicia-se muito antes do recurso à força armada, manifesta-se na ausência de dignidade e de perspetivas de futuro.
A normalização da existência de indivíduos sem horizonte representa um risco social que nos afeta a todos. Tempos de inquietação.
Abril, não deve ser reduzido a uma mera recordação. Deve traduzir-se em ação, com coragem e autenticidade. Um país onde a liberdade não é universalmente garantida não pode ser considerado verdadeiramente livre. A liberdade transcende a mera ausência de restrições, implica a capacidade ativa de participação no destino coletivo, com autonomia pessoal e garantias legais que permitam viver com dignidade, pensar, existir e discordar.
Tempos de inquietação.
Abril, por favor, volta para a rua!
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