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Gazeta Paços de Ferreira

09/08/2026, 0:00 h

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Certezas

Joaquim Leal Opinião

OPINIÃO

Certezas tinha uma certa pessoa (ou seria múmia?) que afirmava ter a certeza de tudo e de raramente se enganar.

Por Joaquim António Leal

 

Basta lembrarmo-nos daquela garantia que dava sobre um determinado banco estar sólido, se recomendar como nenhum outro, e no dia seguinte os clientes verificarem que o seu dinheiro tinha sumido.  Uma idiotice, portanto, senão confronte-se ainda com a afirmação do filósofo, do inteligente, do que, por força da sua capacidade de refletir sobre a vida, dizia: “eu só sei que nada sei” (Sócrates), logo, a afirmação da certeza de não ter certezas nenhumas.

 

Dos primeiros, múmias, empertigados, convencidos, idiotas, em suma, nabos que nem comestíveis são (o que lhes daria alguma utilidade), podemos dizer que proliferam na nossa praça. É ouvi-los, em posições de relevo, a proclamarem que são os maiores, os eleitos, a nata da sociedade e, vai-se a ver, são uns oportunistas que, alavancados por famílias influentes ou por amigos que ocupam os cargos certos, lhes proporcionam o acesso ao posto que detêm, dando-lhes a chave para abrirem cofres que são de todos, logo, tornando-se especialistas em corrupção.

 

Talvez esta minha avaliação corresponda à verdade, tudo indica que sim, porém nem sempre estou certo disso.

 

 

 

 

São as certezas traiçoeiras, enganadoras que, no limite, tanto levam à falência do Estado como (pior ainda) levam a guerras injustas que matam inocentes e destroem tudo o que lhes surge pela frente. Veja-se o Iraque, a Síria, a Líbia, a Palestina e, mais recentemente, o Irão, tudo casos em que alguém decidiu cheio de certezas, mas eu duvido sobre quem seja o verdadeiro terrorista da equação.

 

Certezas transmitidas ao público, às populações, quantas vezes com rostos cheios de certezas, embora sabendo que as apregoadas realidades são mentiras puras e nada mais. Certezas que se diz ter, interesses ilegítimos que se escondem, aproveitamentos do esforço dos outros, mesmo que seja preciso derramar sangue.

 

Certezas são ilusões que alguns cérebros engendram para se sobreporem aos demais. Há a certeza de que se hoje é sexta, amanhã será sábado, sem dúvida alguma. Mas trata-se duma ilusão. Amanhã só será sábado para quem não morrer na véspera, ou seja, antes do sábado chegar.

 

 

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