13/06/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por José Carvalheiro
Em Portugal a diminuição da taxa de natalidade será o resultado de vários fatores, alguns complexos; apesar disso parece inegável que pouca gente decide ter filhos se:
- a possibilidade de arranjar habitação está quase totalmente entregue aos mercados e à especulação, e as distâncias e tempos de acesso ao local de trabalho não cessam de crescer, deixando pouco tempo para os filhos;
- o emprego estável está constantemente ameaçado por políticas de precariedade, que os governos cinicamente chamam de flexibilidade;
- apesar do aumento de produtividade, o stress laboral não diminuiu, e em muitos casos tem piorado.
É preciso apostar mais nas pessoas e menos nos negócios, e na miragem impossível do crescimento infinito; repartir decentemente a riqueza produzida é um projeto incompatível com governos que se esquecem, que sem crianças não há futuro.
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