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Gazeta Paços de Ferreira

03/07/2026, 10:16 h

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Final do ano letivo

Educação Opinião ROSÁRIO ROCHA

EDUCAÇÃO

O ano letivo termina de forma faseada para os vários níveis e ciclos de educação e ensino. Alguns já terminaram a meio de junho, mas os mais pequenitos (Educação Pré- Escolar e 1º Ciclo) só terminaram a 30 de junho.

Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)

 

Ano longo

 

Já abordei a questão do calendário escolar ser demasiado longo para os mais pequenos. São eles que passam mais tempo na escola e são os que têm menos tempo livre, principalmente o 1º Ciclo.

 

Todos nos lembramos que antigamente a escola começava quase no final de setembro e terminava no início de junho. Agora começa na primeira metade de setembro e termina no final de junho.

 

Tudo isto acontece porque é necessário tomar conta dos miúdos enquanto os pais trabalham. É a tal questão da “Escola a Tempo Inteiro”, em que é necessária uma Componente de Apoio à Família. A questão está em que a função da Escola não deve ser tomar conta das crianças enquanto os pais trabalham. A principal missão da Escola deve ser o Ensino. Aliás, a Escola continua a ser uma instituição formal de Ensino.

 

Nos últimos anos a Escola foi assumindo tantas funções que, do meu ponto de vista, começa a ser difícil focar-se na essencial. E, talvez por isso, embora as crianças tenham muito mais capacidades do que antigamente (até porque são muito mais estimuladas), não revelam um desempenho académico tão elevado como seria expectável. Há vários fatores que contribuem para isso (currículos, falta de motivação…), mas também considero que um dos motivos poderá ser o facto de haver uma panóplia de funções onde fica esbatida a do Ensino. Penso que as crianças e as famílias devem olhar para a Escola como o local onde se cresce globalmente, mas onde se vai especialmente para aprender; onde há Ensino especializado!

 

E voltando à questão do ano letivo longo, os profissionais da Educação sabem que o mês de Junho é para esquecer. As crianças estão já demasiado cansadas para o Ensino formal. E nas crianças mais novas sentimos ainda mais esse cansaço. Para correr bem, trabalha-se o currículo formal até ao final de Maio. Em Junho, quem o quiser fazer, é só para massacrar os miúdos… Com o calor, com o cansaço acumulado, já não há vontade de andar a fazer fichas nem livros, nem capacidade para aprender conteúdos exigentes.

 

 

Qual a solução?

 

As crianças pequenas precisam de quem tome conta delas enquanto os pais trabalham. Temos que começar a aferir bem quem não tem com quem ficar. Alguns têm irmãos mais velhos, outros têm família alargada. Noutros tempos, nas férias juntavam-se os primos, os sobrinhos, os netos todos em casa de alguém de família. Até vizinhos assumiam o papel de cuidadores. É necessário regressar a isso: voltar a estabelecer laços familiares e de comunidade.

 

E quem de facto não tiver ninguém, deverão ser as instituições locais (juntas de freguesia, município, outras instituições) a assumir a Componente de Apoio à Família, planeando e dinamizando atividades de ligação ao Meio Local, de valorização do património local e, em simultâneo, que permitam o desenvolvimento de laços e de sentido de pertença.

 

É fácil? Não, mas é possível. E além de ser possível, é necessário. Regredimos muito embora pensemos que evoluímos! Antigamente estávamos ansiosos pelas férias para podermos sair e podermos partilhar momentos e aventuras fora dos portões da escola. Havia sempre alguém ansioso que a escola terminasse para acolher um grupo de pirralhos, reguilas mas cheios de vida. Hoje ninguém tem paciência para aturar um nas férias, quanto mais um grupo de traquinas!

 

 

 

 

Calendário escolar

 

Para já o primeiro passo é recuar no calendário escolar. Encurtá-lo, evitando que se torne um sufoco no mês de junho. No máximo, as aulas devem ir até ao meio de junho. Os docentes devem trabalhar o currículo formal até ao final de maio. Em Junho, as escolas devem preparar atividades experimentais, culturais e lúdicas.

 

No Centro Escolar de Arreigada, onde trabalho, há três anos que tentamos contornar o calendário escolar, planeando atividades diferentes para os últimos dias de aulas. As crianças aguardam ansiosas o momento em que deixam as mochilas em casa.

 

Este ano, apesar das aulas acabarem no dia 30 de junho, a mochila ficou em casa desde o dia 19. Os dias foram preenchidos com atividades culturais e pedagógicas mais lúdicas: Laboratório STEAM, palestra com a polícia Municipal, Percursos/caminhadas na Natureza, Ações de Limpeza da Natureza, Feira do Livro, Visitas de Estudo, ciclo do pão, Leitura no parque…enfim, muitas atividades em que a aprendizagem se realizou, mas de forma mais descontraída e mais dinâmica. Era isto que se deveria fazer em todas as escolas no mês de Junho, mas com as aulas a terminarem até ao 9 de junho ou no máximo 15 de junho, como noutros tempos.

 

Enquanto o Ministério não decidir mudar o calendário, compete-nos a nós irmos ajustando o mesmo às necessidades das crianças.

 

E, para finalizar, desejo a todas as crianças e jovens estudantes umas boas férias! Aproveitem muito: explorem, convivam, sejam crianças e jovens!

 

Aos pais e familiares: procurem aproveitar momentos com os vossos mais que tudo! O tempo voa…

 

 

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