04/07/2026, 9:57 h
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Opinião Opinião Politica Partido Comunista
OPINIÃO POLÍTICA
Por Catarina Dias (Militante do PCP)
Foram 330 dias de luta, de esclarecimento e de mobilização. Começando a 20 de Setembro, numa fase em que ainda pouco se discutia sobre o pacote laboral, a CGTP-IN convocou uma jornada nacional de luta com manifestações em Lisboa e no Porto.
A 8 de Novembro, mais de 100 mil saíram às ruas em Lisboa para dizer não ao retrocesso e para aplaudir ao anúncio de uma Greve Geral pelo Secretário-Geral da CTGP-IN a 11 de Dezembro. A 13 de Janeiro, a central sindical voltou a mobilizar os trabalhadores para uma manifestação em Lisboa que terminou com a entrega de 190 mil assinaturas contra o pacote laboral. A 28 de Fevereiro novas manifestações em Lisboa e no Porto.
Exatamente um mês depois, a 28 de Março, os jovens trabalhadores de todo o país saíram à rua em Lisboa para afirmar a rejeição do pacote laboral, para lutar contra a precariedade e pelo aumento dos salários. No 25 de Abril e no 1º de Maio foram, também, muitas as palavras de ordem acerca do pacote to patrão. Antes de se iniciar o desfile do Dia do Trabalhador, Tiago Oliveira anuncia nova Greve Geral a 3 de Junho.
O chumbo do pacote laboral é a prova que a luta organizada traz frutos e que é possível resistir mesmo em condições desfavoráveis. Para todos os que insistem em dizer que manifestar-se ou fazer greve é inútil, aqui está a prova de que tal não é verdade. Não fosse a luta dos trabalhadores, as alterações à lei laboral passavam pelos pingos da chuva. Foi a nossa força reivindicativa que obrigou alguns partidos a reconhecer aquilo que não queriam ver: a rejeição clara e inequívoca deste pacote laboral por parte dos trabalhadores. Sem essa luta, este ataque aos nossos direitos teria sido aprovado.

Para além da importância imediata da defesa dos direitos dos trabalhadores, a rejeição do pacote laboral ensina-nos outras coisas.
Em primeiro lugar, esta vitória não representa o fim da luta, mas antes um incentivo para a continuar. Os problemas que afetam a vida do povo permanecem: salários e pensões insuficientes, o aumento do custo de vida e as dificuldades no acesso à habitação e aos serviços públicos.
Em segundo lugar, esta vitória demonstra que nada está decidido à partida. Muitos procuraram convencer os trabalhadores de que a aprovação deste pacote era inevitável e que a luta seria inútil, mas o contrário foi provado.
É essa, talvez, a principal lição: se foi possível derrotar este ataque aos direitos laborais, também será possível alcançar outras conquistas. Aumentar salários e pensões, combater a precariedade e garantir melhores condições de vida.
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