09/10/2026, 0:00 h
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Educação Opinião ROSÁRIO ROCHA
EDUCAÇÃO
Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)
Respeitando a opinião dos outros, tenho a minha pessoal que é formada e bastante alicerçada na minha personalidade e forma de estar, que advém muito do caminho que tenho trilhado ao longo da vida e da minha memória gigante, bem como nos valores que defendo, sendo que um dos principais é a gratidão.
A minha opinião
É óbvio que a Seleção nacional nos remete para a nossa pátria. Podemos não seguir clubes de futebol e não perceber patavina, mas acabamos quase todos a torcer pela Seleção: é o nosso Portugal! Se para nós que cá vivemos mexe connosco, então com os nossos emigrantes mexe muito mais. É um pouquinho da “casa” que lhes chega, é um motivo gigante de orgulho. Sei-o também, porque tenho um irmão emigrado na Suíça há muitos anos, cujo filho nasceu lá, mas que ostentam com orgulho frequentemente chapéus e camisolas da seleção portuguesa.
A seleção é um orgulho e é constituída por todo o conjunto de jogadores, equipa técnica e outros mais. Contudo, se a seleção é um todo, é indubitável que Cristiano Ronaldo é um ícone. É o jogador que mais vezes vestiu a camisola da seleção portuguesa e com mais internacionalizações; é o melhor marcador da seleção e de seleções a nível mundial. Cristiano Ronaldo não é só jogador de Portugal, é do Mundo! E para quem viaja pelo estrangeiro, quando dizemos que somos de Portugal, é frequente que nos respondam logo: Cristiano Ronaldo. E nós sentimos um orgulho gigante! Portanto, Cristiano levou o nome do nosso país aos quatro cantos do Mundo e foi, sem dúvida, o nosso maior embaixador nos últimos anos.
Por tudo isso, pelo reconhecimento do quanto nos permitiu como país, do quanto fez pela nossa seleção, do ídolo que nos encheu de orgulho, considero que melhor do que qualquer um pode e deve ter um ego gigante. E talvez seja esse ego gigante que o fez sentir-se injustiçado. E não, não pode ser tratado como qualquer um…ele não é um qualquer!
Onde entra a Educação
A Educação entra na forma como temos dificuldade em reconhecer que nem todos são iguais; em como temos dificuldade em aceitar que alguns se tornam referências, porque não contam só com a sorte: aliam-na a muito trabalho e empenho.
A Educação entra quando nos esquecemos de educar para a velhice e para o respeito e reconhecimento dos mais velhos.
Já referi algumas vezes que considero que os mais velhos são quase ostracizados da Sociedade e, por isso, com muita facilidade se metem em lares ou centros de dia, quase para os “arrumar”. Arrumam-se como trapos velhos que não servem e só estorvam.
Má Sociedade que não valoriza a acumulação de conhecimentos, a riqueza cultural dos mais velhos.
Muito fácil se esquece do contributo de quem muito fez seja em que área for, nem que seja simplesmente na área familiar.
Usam-se as pessoas até ao limite e depois descartam-se rapidamente, sem reconhecimento nem gratidão. É assim de um modo geral.

Na família, criam-se filhos, netos e rapidamente passam a ser um estorvo, assim que perdem a utilidade. Muitas vezes somos bem mais sucedidos que os pais, mas esquecemo-nos de quem nos permitiu chegar lá, sabe Deus com quanto sacrifício.
Nos empregos, claro que ninguém é insubstituível, mas com a evolução veloz da sociedade, quer na tecnologia, quer na mudança das necessidades, os mais velhos são diminuídos. A mocidade chega cheia de ideias e é a primeira a ignorar anos e anos de experiência. Dificilmente reconhecem e aceitam conselhos dos mais velhos.
Há uma expressão que se dizia muito: “quem de novo não vai, de velho não escapa”. Por isso, quem tiver a sorte de ir contando os anos, chegará certamente à velhice.
Começar a educar para o reconhecimento e o respeito dos mais velhos, é preparar o caminho para todos quantos lá chegarmos.
Voltando às profissões… É verdade que a idade não perdoa. É verdade que a energia diminui. É verdade que não são o que eram aos 20 e tal anos. Mas há uma coisa que ninguém lhes tira: a experiência da vida! Aquela que acumularam nos seus 50, 60 ou mais anos.
E é por isso que eu acho que nos empregos, os últimos anos de trabalho não deviam ser de sobrecarga, mas essencialmente de acompanhamento aos mais novos. Aliar experiência acumulada à teoria recém-adquirida.
Vou-me focar na docência. Não é fácil a partir dos 60 assegurar uma turma de pequenotes sozinho. E, por isso, os últimos anos deveriam permitir uma transição suave para a reforma, sem esgotar mentalmente os docentes. Deveria também fazer-se a transição com os mais novos, aqueles que ainda não têm experiência acumulada e que ganhariam muito de partilhar uma sala com quem tem muito para ensinar.
Um país sem memória
Um país que não reconhece nem valoriza os seus, é um país sem memória e é um país com uma pequenez enorme.
Há valores dos quais não devemos abdicar: o reconhecimento e a gratidão. Vou repescar uma frase de alguém que está (infelizmente) na má memória dos docentes. Maria de Lurdes Rodrigues, antiga ministra da Educação, disse em 2006: “perdi os professores, mas ganhei os pais e a população”. Passados 20 anos, confirma-se que a senhora tinha razão: perdeu os professores e perdeu professores.
Mas passados 20 anos, também a população e muitos pais se sentem perdidos, sem saber quando os filhos terão professores, pois a Lurdinhas perdeu-os há uns anos atrás.
A seleção portuguesa perdeu o seu capitão. Mas ele continua no mundo do futebol. Esta semana ouvimos dos quatro cantos do Mundo elogios a esta grande lenda, que será certamente homenageada pelo Mundo fora: por aficionados e adversários.
A Ronaldo aconselho que siga os passos de Saramago nos últimos anos. Há pessoas demasiado grandes para mentes pequenas. E espero que o seu ego e amor próprio não lhe permitam aceitar migalhas de quem tem memória curta: de tudo quanto deu, de todas as portas que abriu, de todos os sítios onde levou o bom nome de Portugal!
Tem muita experiência acumulada, e haverá certamente quem agradeça poder usufruir dela. Portugal ganhou um selecionador (e há quem diga que uma seleção), mas, do meu ponto de vista, teve e terá perdas irreparáveis. A ver vamos…quem sabe nos próximos 20 anos faremos contas J.
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