01/02/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por Celina Pereira
De um lado, temos a figura do prumo. Aquele que fala com a sobriedade de quem sabe que as instituições não são brinquedos de feira. É o perfil da previsibilidade e do respeito pelas regras. Todavia, este homem de Estado parece carregar hoje um fardo que não lhe pertence: o de ser injustamente responsabilizado pelos erros e pecados de quem, nos bastidores do partido, falhou ao país. É a vítima colateral de um sistema que ele próprio não representa na sua face mais cinzenta, mas que o obriga a uma luta desigual contra o preconceito. A sua recusa em descer à lama do insulto é vista como falta de "garra", quando é, na verdade, o último reduto da sanidade política.
Do outro lado, surge o mestre do ilusionismo. Um prodígio da retórica que descobriu o elixir mágico: dizer ao povo exatamente o que ele quer ouvir, sem nunca explicar como o vai fazer. É o "fala-barato" de luxo, que promete limpar o mundo com as mãos sujas e que oferece a lua em troca de um voto de fé. O mais fascinante — e aterrador — é observar como a multidão ignora a gritante incoerência entre o que ele diz e o que ele faz. As suas atitudes atropelam os seus discursos a cada esquina, mas o espetáculo é tão inebriante que ninguém quer olhar para os fios que movem o boneco.
O povo, dizem, quer o "salto no desconhecido". Há uma estranha volúpia em marchar em direção ao precipício, desde que a banda que nos acompanha toque uma música animada. Preferimos a ilusão grandiosa à realidade honesta.
No dia da decisão, a questão será simples: queremos um país governado com a mão firme da responsabilidade, ainda que desgastada pelos erros de terceiros, ou entregue aos truques de magia de quem, depois de apagar as luzes do teatro, nos deixará sozinhos e às escuras.
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