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Gazeta Paços de Ferreira

25/07/2026, 0:00 h

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Olhos no ecrã, cocó no passeio: Onde anda a higiene?

Opinião Celina Pereira

OPINIÃO

"Fica o apelo, com um sorriso, mas também com muita firmeza: se o seu cão faz, você apanha."

Por Celina Pereira

 

Quem costuma dar uma volta pelo nosso Parque da Cidade certamente já reparou em atitudes dignas de serem reveladas. Há uma nova vaga de donos de cães, e destaco aqui, com muito orgulho, a malta mais jovem, que dá gosto ver. O cão faz o que tem a fazer, o dono saca do saquinho plástico num segundo, apanha, dá o nó e deita no lixo. Simples, cívico e sem dramas. Olho para aquilo e penso: "Ainda há esperança nesta juventude." Louvo, sinceramente, esta atitude. Custará assim tanto? Outro dia dei por mim a dar os parabéns a um jovem que timidamente me disse, “muito obrigado”.

 

Aparentemente, para outro tipo de gente, isso é cá um problema de bradar aos céus.

 

Basta sairmos do parque e darmos uma volta pelas ruas que rodeiam os prédios mais modernos e "xpto" da nossa terra. É aí que a magia não acontece, mas sim passa cena de terror. Quase todos os dias assisto à mesma cena: sai o morador a passear o cão, mas o corpo está na calçada e a mente está noutra dimensão. O olhar está colado ao ecrã do telemóvel. O cão agacha-se, faz o "serviço" no meio do passeio, e o dono? Nem mexe uma pestana. Continua a fazer scroll no Instagram como se nada fosse.

 

 

 

 

Dá vontade de rir, para não chorar. É que estamos a falar de gente que tem a mania que é fina, que vive em condomínios XPTO com varandas de vidro, mas que depois deixa um rasto, coitado de quem vem a seguir …. E atenção, não quero de todo ofender os porquinhos, que são animais super asseados e não têm culpa nenhuma. Os verdadeiros "porcos" aqui são os de duas pernas, que se esquecem de que o civismo não se mede pelo andar onde moram ou pela marca do carro que estacionam na garagem.

 

Ter um animal de estimação é maravilhoso, mas traz responsabilidades. Não vale a pena andarmos de nariz empinado na rua se, por onde passamos, deixamos uma mina terrestre para o vizinho pisar. Um bocadinho mais de olhos no chão e menos no telemóvel fazia milagres pelo nosso bairro.

 

Fica o apelo, com um sorriso, mas também com muita firmeza: se o seu cão faz, você apanha. Os passeios da nossa cidade (e os sapatos de quem lá passa) agradecem!

 

 

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