06/10/2026, 10:29 h
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OS NOSSOS NO PARLAMENTO
Por Patrícia Nascimento (Deputada do Chega na AR e Deputada Municipal)
Sabemos que esta será a tendência, visto que o mercado imobiliário do Porto está a pressionar as famílias para a periferia, tornando Paços de Ferreira o destino ideal para quem procura casa com boa ligação à Invicta.
Quem circula pelo concelho consegue perceber que 2026 será igualmente um ano grandioso para a construção no concelho. E é um ponto muito positivo para o nosso concelho, para o crescimento da região e sobretudo da população jovem no concelho.
Mas com este fator vem a responsabilidade de ter serviços públicos que deem resposta. E nisso, não sei se a nossa autarquia já percebeu e já se começou a preparar. De uma forma honesta até podem estar a tentar, mas chegará com muito atraso!

Na saúde, contudo, há boas notícias: o novo Centro de Saúde está em construção, através de um investimento de 11,5 milhões de euros financiado pelo PRR. O edifício terá capacidade para responder às necessidades de 30 mil utentes, segundo a autarquia. É uma infraestrutura necessária há muito no concelho. A sua inauguração está prevista para 2027, mas, entretanto, os novos residentes começam a chegar. Chegam a um concelho que se gaba — e a ser verdade, bem! — de ter 100% dos utentes com médico de família, num país onde, no final de 2025, mais de 1,56 milhões de utentes estavam na situação contrária, sem médico de família atribuído, cerca de mais 41 mil do que no ano anterior. Paços de Ferreira não está imune a esta realidade nacional, se não se preparar. O crescimento de população, que advém do crescimento de fogos habitacionais no concelho, tem de colocar na equação os serviços públicos, os médicos, enfermeiros, assistentes sociais, assistentes técnicos dos diversos serviços da administração pública… Estes últimos que sabemos que faltam, até de forma gritante, nas finanças do concelho, que às custas disso já têm um horário bastante restrito.
Na área da educação, a autarquia apostou forte nas creches municipais, através de um modelo pedagógico próprio, com vagas gratuitas e integrado na rede de centros escolares do concelho. É uma medida estruturante para o concelho e merece ser reconhecida como tal. Mas a aposta nas creches não esconde a ausência de respostas para os anos escolares seguintes. Quando estas crianças chegarem ao primeiro ciclo, a rede escolar estará dimensionada para as receber?! E mesmo estas creches têm as dimensões e vagas necessárias para este crescimento?
O que falta, acima de tudo, é planeamento integrado. Paços de Ferreira continua sem um Plano Diretor Municipal (PDM) atualizado e funcional. Licencia-se construção sem o instrumento urbanístico que deveria garantir a proporcionalidade entre o crescimento habitacional e a dotação de equipamentos coletivos: escolas, centros de saúde, transportes, infraestruturas. Um PDM desatualizado não é um mero problema técnico. É claramente uma escolha política, com vantagens para os políticos e com consequências para quem vive e vai viver no concelho.
Paços de Ferreira tem potencial genuíno: localização, dinamismo empresarial. Mas os novos residentes e os atuais merecem serviços públicos à altura das suas necessidades e não ficar reduzidos a viver num dormitório da cidade do Porto.
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