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EDITORIAL
Por Álvaro Neto (Diretor da Gazeta de Paços de Ferreira)
O futebolista português mais distinto de sempre construiu a sua carreira extraordinária sobre uma ideia simples e quase obsessiva: não aceitar limites.
O talento foi apenas o ponto de partida. Depois vieram o trabalho, o rigor, a disciplina, a capacidade de sacrifício e uma vontade quase inesgotável de permanecer no topo. Ronaldo fez da superação uma identidade.
É precisamente por isso que o momento do fim se torna tão complexo. Para quem passou a vida a combater o declínio, aceitar que o tempo também é um adversário pode ser particularmente difícil.
Mas há uma ironia neste percurso: aquilo que foi, durante décadas, a sua maior força, a recusa em reconhecer limites, pode transformar-se no obstáculo à aceitação do limite inevitável.
Mas a questão já não diz respeito apenas ao jogador
Cristiano Ronaldo tornou-se uma marca de dimensão mundial. O seu nome é, há muito, para além do futebol, uma das imagens portuguesas com maior força internacional.
A sua imagem é desportiva, económica e mediática.
Por isso, a despedida dos relvados não pode ser vista apenas como o fim de uma carreira.
É, também, a necessidade de pensar no que essa marca deixa ao próprio futebol português.
O verdadeiro desafio pode ser, no fundo, lidar com o legado: o impacto na seleção, na forma como se projetam os jogadores e, até, na ideia de Portugal que Ronaldo ajudou a projetar pelo mundo.
Saber terminar pode ser, talvez, a última grande prova de exigência a que terá de se submeter.
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