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Gazeta Paços de Ferreira

01/02/2026, 0:00 h

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Um orçamento grande, um concelho mais pequeno?

Opinião Opinião Politica Partido Social Democrata

OPINIÃO POLÍTICA

O Orçamento Municipal para 2026 volta a ser apresentado, este ano, como o maior de sempre em Paços de Ferreira. Esse facto, por si só, não é um problema. O que merece reflexão é o modelo de concelho que este orçamento continua a reforçar.

Por Alexandre Costa (Presidente da Comissão Concelhia de Paços de Ferreira do Partido Social Democrata)

 

A leitura política que faço é clara: estamos perante a continuidade de um caminho em que o Município cresce, alarga a sua intervenção direta e ocupa cada vez mais espaço no concelho. A Câmara, mais uma vez, assume o papel central, executa, contrata, gere e decide. A comunidade acompanha.

 

Este modelo pode garantir visibilidade política e, à primeira vista, até resposta imediata. Mas importa refletir: onde fica o espaço para a iniciativa privada, para as associações, para as IPSS, para as juntas de freguesia e para a sociedade civil em geral? Um concelho forte constrói-se com uma comunidade forte, não apenas com um Município maior.

 

O orçamento que se prepara não aponta para uma mudança de paradigma. Falta uma aposta clara na criação de condições para o crescimento fora da esfera municipal. Em vários momentos, fica a sensação de que se assume que a capacidade de decisão e de execução existe apenas dentro da Câmara Municipal, como se fora dela não houvesse competência, iniciativa ou confiança suficiente.

 

 

 

 

Ao longo dos últimos anos, habituámo-nos a um modelo em que a solução para quase tudo passa pelo reforço da estrutura municipal. O risco deste caminho é conhecido: mais centralização, mais dependência, mais burocracia e um modelo que alimenta estruturas em vez de libertar capacidade no concelho.

 

Este artigo não antecipa decisões nem substitui debates que terão o seu tempo próprio. Serve apenas para deixar uma reflexão política: o futuro de Paços de Ferreira não depende apenas de orçamentos maiores. Depende de sabermos se queremos um concelho mais dependente da Câmara ou um concelho mais moderno, com mais autonomia, mais participação e mais confiança nas pessoas.

 

As escolhas que fazemos hoje definem o concelho que teremos amanhã.

 

 

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