Uma doença crónica

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O acordo com o Irão não dá qualquer garantia de paz duradoura.

Depois de anunciado mais de 30 vezes pelos americanos, parece que agora se chegou a um acordo com o Irão, mas sem Israel. Os gritos desesperados de Trump, “tirem-me daqui”, talvez nos deixem de incomodar nos tempos mais próximos.

 

No século XX, os Estados Unidos participaram diretamente  em mais de 50 intervenções militares e estiveram nos bastidores de muitos mais conflitos; só na América Latina, a partir de 1950, podemos identificar o envolvimento americano em 15 golpes de estado.

 

Agora, depois de uma entrada de leão, a administração americana tenta disfarçar uma saída de sendeiro; o acordo com o Irão significa apenas que Trump se esbarrou contra um muro dificil de derrubar. Quanto a Israel, a avidez da conquista de mais território não desapareceu, antes pelo contrário, com a ocupação de parte do Líbano.

 

A conivência europeia e a falta de qualquer coerência na defesa de princípios básicos, já nem digo do Direito Internacional, mas da simples decência, apenas encoraja a agressividade dos vilões.

 

Neste quadro, o acordo com o Irão não dá qualquer garantia de paz duradoura; uma doença crónica, a do imperialismo rapinante, não se cura com uma aspirina: a temperatura desce, mas o mal continua lá.

José Cavalheiro

 

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