30/07/2026, 11:59 h
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Destaque Editorial Opinião Álvaro Neto
EDITORIAL
Por Álvaro Neto (Diretor da Gazeta de Paços de Ferreira)
Aquilo que deveria ser uma operação rotineira, afinada ao longo de décadas de prática, transformou‑se num cenário de falhas, atrasos, improvisações e ansiedade generalizada entre alunos, professores e famílias. A cada novo incidente, cresce a sensação de que o sistema não só falhou, como expôs fragilidades que já não podem ser ignoradas.
É evidente que a realização dos exames nacionais é uma operação complexa. Envolve logística, segurança, distribuição de provas, vigilância, correção, milhares de profissionais e centenas de milhares de alunos. Ninguém contesta a exigência desta máquina. Mas também é evidente que esta máquina não é nova. Os procedimentos são conhecidos, o calendário é sempre o mesmo, o número de alunos por disciplina é previsível, e as escolas sabem com meses de antecedência o que têm de preparar. Não estamos perante uma novidade, mas perante uma rotina anual que deveria funcionar com precisão quase automática.
Mas não foi isso o que aconteceu este ano. É que ninguém estava à espera que, em cima dos exames, se partisse para a digitalização da correcção dos exames, sem que antes o processo tivesse sido devidamente testado, havendo mesmo já o conhecimento de que um projecto piloto de 2025 na disciplina de Filosofia não fora satisfatório.
O processo tinha muito para correr mal e correu, mesmo, mal.
Verificou-se uma inúmera sucessão de falhas, desde provas mal distribuídas até problemas técnicos que obrigaram a improvisações de última hora, e geraram uma perceção pública de descoordenação que o Ministro da Educação não conseguiu dissipar. Pelo contrário: cada explicação oficial pareceu mais um remendo do que uma solução.
O governo vê-se agora confrontado com uma crise que não é apenas educativa, mas política. Quando um processo tão sensível falha, falha também a confiança. E a confiança é o capital mais difícil de recuperar. Os exames nacionais são, para muitos alunos, o momento mais importante do ano. Não podem ser tratados como uma experiência, nem como um laboratório de soluções improvisadas. Exigem rigor, estabilidade e responsabilidade.
O país merece um sistema de exames que funcione. Os alunos merecem tranquilidade. As escolas merecem respeito. E o governo deve assumir que, quando tudo falha, não basta justificar: é preciso corrigir, reformar e garantir que nunca mais se repete.
Porque os exames nacionais não são apenas provas escolares. São provas de competência do Estado. E este ano, infelizmente, o Estado chumbou.
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