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Gazeta Paços de Ferreira

12/04/2026, 0:00 h

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A subida dos combustíveis … Alguém entende?

Opinião Opinião Politica Partido CDS/PP

OPINIÃO POLÍTICA

A pergunta que todos fazemos é o porquê de os combustíveis subirem imediatamente e quando descem é tudo muito devagar?

Por Óscar Leal (Militante do CDS de Paços de Ferreira)

 

Existe naturalmente a explicação formal para este facto e depois existe a percepção que todos temos.

 

A explicação formal combina fatores económicos, estruturais e comportamentais.

 

O preço internacional reage em minutos. Quando há tensão geopolítica, subida do Brent ou risco no transporte, o preço do crude dispara imediatamente nos mercados. As petrolíferas ajustam logo os preços porque: querem proteger margens futuras, compram parte do crude a preços spot e antecipam custos mais altos nos próximos carregamentos.

 

Isto é confirmado por análises do setor. As oscilações internacionais refletem-se rapidamente nas bombas.

 

A componente fiscal é fixa. Como o ISP é um valor fixo por litro, qualquer aumento na matéria‑prima tem impacto direto no preço final. Ou seja: se o crude sobe, o preço dispara; se desce, o ISP continua lá.

 

Mercado com pouca concorrência real. Portugal tem poucos operadores dominantes e margens relativamente estáveis. Quando o preço sobe, ninguém quer ser o primeiro a perder margem. Quando desce, ninguém tem pressa em abdicar dela.

 

 

 

 

E porque descem tão devagar?

 

Contratos de compra são feitos a prazo. As empresas compram combustível com semanas de antecedência. Quando o preço internacional desce, hoje o combustível que está nas bombas foi comprado mais caro. Por isso, a descida demora a refletir-se.

 

As descidas são menos “urgentes”. Quando o preço baixa, não há pressão imediata para reduzir.

 

O preço não é definido pelo custo do stock atual. Este é o ponto-chave.

 

As petrolíferas não definem o preço com base no que está no depósito do posto, mas sim com base em: o preço internacional do petróleo hoje, o preço dos produtos refinados hoje e o custo de reposição esperado nos próximos dias. Isto significa que, mesmo que o combustível que está na bomba tenha sido comprado mais barato há semanas, o preço é ajustado ao custo de reposição, não ao custo histórico. É como se o posto dissesse: “Se eu vender barato agora, amanhã vou ter de comprar caro para repor o stock — por isso ajusto já.”

 

Se num mercado ideal, os preços só deveriam subir quando o stock caro chegasse às bombas no mercado real, o preço é definido pelo custo de reposição e não pelo custo histórico.

 

É também por isso que este sistema é injusto para todos nós, mas nada podemos fazer para alterar isso.

 

 

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