10/07/2026, 11:02 h
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OPINIÃO
O problema da falta de água em Almada devia suscitar uma reflexão de fundo sobre a estratégia da governação das autarquias. Sabemos que há autarquias em que as perdas das redes ultrapassam os 50%, sendo vulgares perdas superiores a 30%, e que crescem mais urbanizações do que infraestruturas
Se não houvesse um Instituto Nacional de Estatistica- INE, que nos informa regularmente sobre a inflação ou sobre o equilíbrio das finanças públicas, os governos estariam tão preocupados com esses indicadores?
Nas autarquias governa-se, para ciclos de quatro anos apostando no que dá nas vistas; a perda de água das redes, os esgotos, a frequência dos transportes, o número de pobres e tantos outros índices como o das desigualdades, índice de Gini, que refletem a qualidade de vida da generalidade da população, não sendo conhecidos, passam a ser alvos políticos menores: não dão votos.
Dotar o INE de mais alguns meios e competências e estabelecer um Barómetro Autárquico com os vários índices ponderados, permitiria saber se uma vereação tinha melhorado ou piorado realmente a qualidade do seu concelho; e aí tudo mudaria: melhorar realmente as condições do ambiente e da vida valeria eleitoralmente mais do que a inauguração espalhafatosa.
Com um Barómetro Autárquico imune ao marketing político, os problemas da qualidade de vida poderiam finalmente sobrepor-se à espuma efémera da caça ao voto.
José Cavalheiro
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