Por
Gazeta Paços de Ferreira

20/05/2026, 15:45 h

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A SAUDE NÃO VAI LÁ COM PACTOS

Destaque Saúde

Pacto de Saude

A Constituição da República Portuguesa é o documento essencial para balizar a intervenção dos governantes e o direito dos governados a uma Saúde de acesso garantido e qualidade de excelência.

 

As recentes dificuldades de acesso dos portugueses aos cuidados de saúde têm despertado uma inquietação generalizada na sociedade e, mesmo, nos agentes políticos principais. Há responsabilidades por esta trágica evolução que, embora não assumidas, não deixam de comprometer objetivamente PS, PSD e CDS.

 

O novo Presidente da República interpretou esta necessidade propondo o que outros iam sugerindo de forma fluida: um Pacto Estratégico para a Saúde, um consenso virtual sobre orientações e medidas para salvar o SNS.

 

 

Nenhum Pacto substitui a premência do

cumprimento da Constituição

nas suas orientações gerais e específicas.

 

 

Importaria a meu ver ser mais claro. A Constituição da República Portuguesa é o documento essencial para balizar a intervenção dos governantes e o direito dos governados a uma Saúde de acesso garantido e qualidade de excelência. Nenhum Pacto, qualquer que seja, substitui a premência do cumprimento da Constituição nas suas orientações gerais e específicas.

 

 

Adalberto Campos Fernandes defende

uma maior presença dos privados

nos subsetores mais lucrativos do SNS.

 

Mas dando como inevitável a concretização desta proposta, a responsabilidade atribuída à coordenação pelo Grupo de Trabalho a Adalberto Campos Fernandes pela Presidência da República levanta questões importantes. Adalberto Campos Fernandes é um médico, ex- Ministro da Saúde, com passado e ligações ideológicas ao PS, que defende uma maior presença dos privados nos subsetores mais lucrativos do SNS. Mas não só.

 

 

Miguel Guimarães, médico, ex-Bastonário da Ordem dos Médicos 

 distinguiu-se ultimamente

pela completa negação da realidade catastrófica da Saúde.

 

O PSD por seu turno indicou Miguel Guimarães, médico, ex-Bastonário da Ordem dos Médicos e vice Presidente da bancada parlamentar e que se distinguiu ultimamente pela completa negação da realidade catastrófica da Saúde. Pelo PCP foi indicado Bernardino Soares, com qualificações na área.

 

Não são portanto expectáveis resultados concretos, para além de uma retórica abstrata. Os serviços continuarão desprovidos de quadros suficientes e de investimento, a desorganização predominará. Mas a retórica ficará pelos desperdícios e ineficácias, tranquilizador das consciências dos governantes.

 

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Cristiano Ribeiro, Médico

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