06/11/2026, 0:00 h
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Educação Opinião ROSÁRIO ROCHA
EDUCAÇÃO
Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)
Começam por dizer o seguinte: “Todos querem uma “boa professora” para os seus filhos até que a encontram. Então descobrem que ela estabelece limites, pede compromisso, não faz vista grossa, exige responsabilidade, reforça hábitos, corrige com firmeza e nem sempre dá razão aos alunos.” E é aí que ela incomoda…
Formar pais
Nunca no tempo dos meus pais se pensaria que era necessário formar pais. As pessoas tornavam-se simplesmente pais e desempenhavam o seu papel de forma inata. Atualmente parece que não é bem assim…
Há uns anos que venho a dizer que é necessário investir na educação parental. Eu penso que muitos pais também sentem a dificuldade de o serem, e talvez por isso recorram a especialistas que consideram poder ajudar, tal como os psicólogos, por exemplo.
Eu sinto que os pais querem tanto ser pais perfeitos, ser os melhores amigos dos filhos, que não lhes querem falhar com nada, que evitam a todo o custo que sofram ou que não estejam bem. E talvez por isso compram o que podem e não podem para “comprar” a felicidade dos seus mais que tudo; procuram todas as especialidades que pensam poder ajudar para explicar qualquer coisinha que acham poder estar a “mexer” com os descendentes. Procuram justificar todas as frustrações e tristezas que sentem nos filhos, e se não conseguirem, procuram alguém externo que as valide.
Pois eu acho que é necessário realmente mudar os paradigmas. É necessário reforçar os laços parentais, assumir as responsabilidades e ser o principal modelo na vida dos filhos!
É necessário ter pais fortes que sustentam e apoiam as falhas dos filhos, aceitando-as quando devem aceitar, e responsabilizando-os, quando devem responsabilizar. É na casa, na família, que as ações e valores têm que ser validados e não no exterior. É fácil levar os miúdos a uma consulta por mês e esperar que lhe resolvam o problema. Não! Muitas vezes o problema deveria ser solucionado em casa, por quem tem a responsabilidade de o ajudar a resolver e de graça, ainda que com algum custo emocional.
Atualmente investe-se muito no acompanhamento das crianças feito por vários especialistas. Pois eu penso que se deve investir é no acompanhamento aos pais, para os ajudar/ensinar a serem pais firmes mas calorosos; pais exigentes, mas compreensivos; pais que não se sintam frustrados e não passem essa frustração para os seus mais que tudo. Pais que amem mas que exijam e responsabilizem…
A escola e as suas lutas…
Não é fácil trabalhar na área da educação atualmente. E um dos motivos é, à semelhança dos pais, a frustração que os docentes sentem. E as maiores frustrações e chatices vêm frequentemente de quem nem entra dentro dos portões da escola.
Ouve-se frequentemente pelos corredores, ou até fora dos portões: “o problema não são os miúdos, são os pais!” E lamento dizer-vos, mas é um facto! Hoje o maior desgaste vem por norma da parte dos pais.
Comecei o artigo precisamente sobre o facto dos pais, se puderem escolher, quererem uma boa professora. Para mim uma boa professora é, sem dúvida, aquela que consegue que os alunos aprendam, mesmo sabendo que nem todos vão aprender da mesma forma. E, para aprenderem bem, claro que é fundamental uma boa relação entre professor e aluno; uma relação mútua de respeito e carinho.
Há ainda que desmistificar um mito: é o de que as crianças têm que ser sempre felizes na escola. Não, não têm nem podem. É como na vida: nem sempre conseguimos estar felizes. Aprender é um processo que por vezes é doloroso, por ser exigente. E, por norma, o que exige muito esforço, limita-nos frequentemente a felicidade.

Voltando aos pais…voltando às frustrações que passam para os filhos… Regra geral os pais sabem, porque eles isso sabem, que os filhos são muito inteligentes. E que por isso terão que ter excelentes resultados. E se não têm é porque a escola está a falhar com o seu educando. E se a criança não quer ir para a escola, é porque não é tratada como devia e dá-se uma série de justificações, que chegam ao limite de dizer à criança: eu vou falar lá na escola. Errado! A criança, ainda que contrariada, tem que ir para escola, é o seu trabalho! Não é uma escolha!
Pois, e começa aí o erro! Há que aceitar que nem todos vão ser os melhores; que nem sempre irão contentes; que nem todos os dias serão fáceis. E mais importante ainda é procurar os motivos certos, as justificações plausíveis e aceitá-las ou tentar mudar o que pode ser mudado. Primeiro: nem todos têm as mesmas capacidades, é um facto. Ninguém é bom em tudo! Depois há os que têm muitas capacidades e que as rentabilizam. E não quer dizer que não tenham dificuldades, porque as vão ter nalgum momento, mas têm a capacidade de as superar. Há os que têm capacidades e não rendem o suficiente: por distração, preguiça, falta de empenho ou estudo…
Há que diagnosticar e responsabilizar, não arranjar desculpas. E é por isso que eu digo que os pais que conseguem educar os filhos para serem fortes, para resolver os problemas, para se superarem, fazem o que deviam fazer todos! Não é fácil porque muitas vezes a super proteção limita o desenvolvimento e a autonomia das crianças. E não: não os amam mais, nem os protegem; ensinam-lhes que lhes vão arranjar sempre uma muleta. Em pequenos são pessoas ou serviços, quando forem maiores serão provavelmente coisas menos benéficas. São os escapes…
A Escola está com esse problema. Crianças super protegidas com pais super preocupados, mas nem sempre com o fundamental. E por isso é que um “bom professor” muitas vezes se torna um problema, porque exige e responsabiliza.
Para terminar, e o pior de tudo: o verdadeiro desgaste dos professores é essencialmente aquele pai que não educa, nem deixa educar; que desresponsabiliza o filho e achando que está a cumprir o seu papel de pai, valida todas as asneiras do filho, a falta de educação e ainda lhe incute que pode continuar assim, porque a culpa é sempre dos outros. E isso desgasta! Porque faz um bom professor perder tempo e prejudicar os outros alunos, sentindo-se também frustrado porque falha, ainda que por culpa de terceiros que não fazem o seu papel.
Costumo dizer que o melhor do Mundo são as crianças e são! Mas nem sempre têm sorte com os modelos parentais que têm…
E, por isso, é urgente haver educação parental e responsabilização parental a sério!!! E o poder político tem que começar a pensar nisso…
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