09/05/2026, 10:17 h
155
Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO
OPINIÃO POLÍTICA
Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)
Perante o vendaval de irracionalidades que assola muitos países em todo o mundo dirigidos agora por loucos ou medíocres, perante crises de identidade, roturas e perdas de supremacia ou hegemonia geoestratégica, a Espanha na gestão da práxis governamental em defesa dos interesses nacionais é uma voz única.
Voz única, não só na defesa dos interesses sociais e económicos de setores mais desfavorecidos (com o preço dos derivados do petróleo, da cesta básica de alimentos, do gás de botija) afetados pelas loucuras trumpianas de guerras extra-fronteira, como também na afirmação de soberania nacional perante os EUA, Pedro Sánchez e o seu governo aparecem no espaço político e midiático como dissonantes de uma apagada, subserviente e vil tristeza que predomina nos corredores da União Europeia. Com a possível exceção da intervenção do PM canadiano em Davos, nada de positivo semelhante tem ocorrido.
E se na política interna o governo de Pedro Sánchez consegue o resultado de um recorde no emprego, uma subida do Salário Mínimo e uma queda de 21% para 10% na taxa de IVA de combustíveis, eletricidade e gás natural, o que nega o catastrofismo da direita e extrema direita presente no todo nacional e nas Comunidades autónomas, na política externa a Espanha se destaca.

O governo de Sánchez pretende suspender o acordo de associação da União Europeia com Israel, devido às indesmentíveis políticas genocidas sobre o Povo Palestiniano. E perante a política de agressão da administração norte-americana, com a guerra sobre o Irão, o governo espanhol limitou o acesso sem princípios dos militares sobre as bases da NATO em Espanha. Esta posição, singular no contexto dos aliados da NATO, serve como modelo ético e político que desagradou a Trump e à cúpula NATO.
Trump ameaça Madrid com a suspensão de acordos comerciais. E quando Trump afirma na sua rede social pretender assim “castigar” a Espanha usando tweets e mensagens de e-mails, o mesmo Sánchez afirma que só aceita documentos oficiais assinados, prova de lucidez e honradez. Não descurando ter um poder de apoio parlamentar frágil, o governo Espanhol sabe não poder contar com apoio e solidariedade da social-democracia europeia e muito menos de conservadores e liberais de variados matizes. O seu “amigo” Costa cala, o seu “amigo” Guterres silencia, o “novo amigo” Montenegro ignora.
Estar no lado certo da História não é coisa pouca. E em certos momentos é decisivo.
ASSINE A GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA
Opinião
10/05/2026
Opinião
10/05/2026
Opinião
10/05/2026
Opinião
9/05/2026