09/05/2026, 9:50 h
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OPINIÃO POLÍTICA
Por Catarina Dias (Militante do PCP)
Já há cerca de dois meses, afirmava ainda que “não podemos entregar dinheiro a toda a gente só porque as pessoas levantam o dedo”. No entanto, quando se trata de apoiar os grupos económicos e o grande capital, aí o Estado pode e faz tudo.
Prova disso é a descida do IRC aprovada em 2025 e que representa uma perda de receita para o Estado no valor de 2 mil milhões de euros. Uma medida que, ao contrário do que nos querem fazer crer, não beneficia as Pequenas e Médias Empresas, sendo que mais de um terço destas nem sequer apresenta lucros suficientes para pagar IRC. Insistem em vender-nos a ideia de que a redução deste imposto trará mais investimento, aumentos salariais e a criação de emprego. No entanto, aquilo que se verifica é a concentração da riqueza numa minoria de famílias e grupos económicos.
Mas este não é um caso isolado. Multiplicam-se os exemplos de favorecimento ao grande capital.
Desde logo, os mecanismos de regularização de dívidas fiscais que acabam por funcionar como autênticas borlas fiscais para grandes empresas, como aconteceu com a Jerónimo Martins, a Corticeira Amorim, a Cimpor e a EDP, que aderiram ao Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado. Em 2023, por exemplo, a Jerónimo Martins acumulava uma dívida superior a 32 milhões de euros ao Estado enquanto apresentava lucros que superavam os 700 milhões de euros no mesmo ano. No que toca à EDP, a decisão de perdoar em 50% uma coima aplicada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, passando dos 260 mil euros para 130 mil, quando a mesma apresentava lucros que superavam os 1000 milhões de euros em 2024.

Também no sector financeiro o padrão repete-se. Prova disso são as ajudas à banca que ascendem aos 24 mil milhões de euros, quando o setor apresenta lucros que ultrapassam os 5 mil milhões de euros ou a anulação definitiva das coimas ao cartel da banca no valor de 225 milhões de euros aplicadas a 11 bancos portugueses devido à prescrição do processo.
Estas contradições não são um acaso, são uma escolha política. Uma escolha que favorece o capital em detrimento do trabalho, que agrava desigualdades e perpetua injustiças. O que se exige é um Estado ao serviço dos trabalhadores e das populações e não dos interesses de uma minoria de famílias que se acham donos disto tudo.
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