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Gazeta Paços de Ferreira

22/02/2026, 0:00 h

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O curioso fenómeno das tempestades

Joaquim Leal Opinião

OPINIÃO

As tempestades são fenómenos curiosos pela sua capacidade de provocar reações diversas, algumas dignas de fazerem parte das enciclopédias universais.

Por Joaquim António Leal

 

Kristin, por exemplo, inspirou a nossa ministra da Administração Interna a participar numa cerimónia de promoção de altas patentes da GNR, suponho que seguida dum Vinho de Honra (verde ou maduro consoante os paladares individuais), enquanto lá fora Kristin soltava os furiosos ventos, qual Eolo, e despejava a chuva que o todo-poderoso deus dos céus, Júpiter Plúvio, lhe fornecia abundantemente. Lá dentro, no quentinho produzido pelo ar condicionado, a ministra podia sonhar, imaginar-se num lugar isento das influências climatéricas, ignorar as populações que se debatiam com o problema de perderem as casas e até as vidas. Pensando bem, tratou-se da conhecida estratégia de enterramento da cabeça na areia para ignorar os perigos que, como se sabe, nada resolve.

 

Quem não ficou atrás da tal da Administração Interna foi o da Defesa que, antes que se esgotasse a oportunidade de fazer prova de vida, pegou em quatro militares, montou uma tenda de campanha em lugar seguro e mostrou ao país como é que se faz muito sem fazer coisa nenhuma.

 

 

 

 

Passaram dias, Kristin já chamava por Leonardo para lhe diminuir a solidão, ou para a substituir nas funções, e as populações já trocavam os pedidos de ajuda aos governantes pelas súplicas ao divino, à espera de melhor sorte, quando o nosso Primeiro, apercebendo-se que os seus inferiores lhe estavam a passar a perna, ensaiou um discurso infalível para assumir o comando: Deu os pêsames “às famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida”. Não consta que o nosso Primeiro tenha estado em alguma despedida de solteiro na noite anterior, que se tenha enfrascado em alguma tasca, pelo que só consigo imaginar que se embebedou com alguma ideia transcendente, única hipótese que justifica que tenha culpabilizado quem morreu por ter morrido.

 

A Administração Interna eclipsou-se. A Defesa tratou de si. O Primeiro-Ministro culpabilizou as vítimas pelo que lhes aconteceu. Estranhos e curiosos fenómenos trouxeram as tempestades desta vez!

 

 

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