30/08/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por Carlos Dias (Licenciado em Ciências Sociais e Politicas e Pós graduado em Gestão Autárquica e Modernização)
As sucessivas notícias envolvendo tráfico de droga, apreensão de armas, furtos, violência e outras ocorrências policiais não podem ser simplesmente ignoradas. É verdade que casos individuais não permitem, por si só, concluir que existe um aumento generalizado da criminalidade. Essa conclusão deve ser sustentada pelos dados oficiais mais recentes. Mas também não podemos esconder uma realidade que começa a preocupar muitos cidadãos.
Em junho de 2026, por exemplo, a GNR anunciou em Paços de Ferreira a detenção de duas pessoas por tráfico de estupefacientes e posse de arma proibida, numa operação onde foram apreendidas milhares de doses de droga, uma arma de fogo e munições. Noutra operação realizada nos concelhos de Paços de Ferreira e Paredes foram efetuadas 11 detenções e apreendidas milhares de doses de estupefacientes.
Mais recentemente, foi igualmente noticiada a detenção de um homem que estaria a exibir uma arma de fogo na via pública, e ainda outro caso onde chegou a vias de facto, aos tiros em plena via pública.
São sinais que justificam preocupação e, sobretudo, prevenção.
A segurança não é apenas uma responsabilidade das forças policiais. Naturalmente, compete à GNR e às restantes autoridades combater e investigar o crime, mas o poder local também tem um papel importante. Iluminação pública, recuperação de espaços degradados, prevenção junto dos jovens, acompanhamento de situações sociais problemáticas e cooperação entre Município, freguesias, escolas, associações e forças de segurança fazem parte dessa resposta.

É igualmente necessário exigir ao Governo os efetivos e os meios adequados para a GNR responder às necessidades de um concelho como Paços de Ferreira. Não podemos exigir mais segurança colocando cada vez mais responsabilidades sobre forças policiais sem os recursos necessários.
Também devemos recusar dois extremos: esconder os problemas por receio de falar sobre eles ou transformar a criminalidade numa forma de estigmatizar comunidades inteiras. Quem pratica um crime deve responder pelos seus atos, independentemente da sua origem, nacionalidade ou condição social. A lei deve ser igual para todos.
As políticas sociais também devem conciliar solidariedade com responsabilidade. A sociedade deve apoiar quem verdadeiramente necessita, mas deve igualmente exigir respeito pelas regras, pelas autoridades, pela propriedade e pelos restantes cidadãos.
Paços de Ferreira continua a ser um concelho onde a esmagadora maioria das pessoas trabalha, educa os seus filhos e procura viver tranquilamente. É precisamente para preservar essa realidade que devemos agir preventivamente.
Não precisamos de criar medo. Precisamos de impedir que o medo se instale.
A segurança não deve ser discutida apenas depois de acontecer uma tragédia. Deve ser defendida todos os dias.
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