29/08/2026, 10:33 h
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Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO
OPINIÃO POLÍTICA
Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)
A abertura ao privado pelo governo de direita de uma “Unidade de Saúde Familiar” Modelo C em Torres Vedras, com 5.463 utentes, é apresentada como sua 1.ª experiência prática.
Num contexto de ausência de respostas efetivas a problemas gerais (gestão e organização, atração de profissionais, acessibilidade, equipa de família, falta de investimento), compreende-se mal esta fobia experimentalista, que acima de tudo só se explica pela satisfação de lucrativas oportunidades de negócio.
O entusiasmo das intenções proclamadas e a pompa das inaugurações, o cheiro a tinta fresca, não ilude porém a realidade de critérios de qualidade já conhecidos muito inferiores ás das restantes e verdadeiras USF ‘s Modelos A e B, como por exemplo a constituição de verdadeira equipa de família, em vez de profissionais contratados em regime de prestação de serviços.
A ideia peregrina de contratar uma empresa localizada em Matosinhos para prestar cuidados de saúde em Torres Vedras (já se anuncia Silves) é simbólica e preocupante. Essa empresa (Knock Health, de seu nome) é apresentada como empresa prestador de serviços médicos de Clínica Geral e de Especialidade.

Entre as intenções proclamadas está a falsa complementaridade ao SNS, a contratualização virtuosa, a justificada parceria. Mas as respostas são escassas:
Onde está a gestão participada comum às verdadeiras USF’s (eleição de Coordenador, Conselho Técnico, Conselho Geral). Nada!
Onde está a autonomia organizacional, livre de interesses, a articulação de grupos profissionais ou o regime de decisões administrativas e disciplinares? Nada!
Onde se fala de remuneração variável, ligada ás caraterísticas da lista de utentes e carga de trabalho)? Nada!
Onde se fala de avaliação da “experiência”, critérios de desempenho, em cada unidade? Nada!
Onde fala de Formação Contínua e Internatos, imprescindível em saberes tão mutáveis? Nada!
Onde está garantida a necessária qualidade com critérios de incorporação (médica, somente?) exclusiva de recém-licenciados, médicos aposentados ou sem vínculo ao SNS com mínimo de 3 anos?
Onde está garantida a boa e suficiente gestão de recursos financeiros, sabendo-se apenas que são 2,4 milhões de euros em contrato de 5 anos para a unidade de Torres Vedras?
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