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Gazeta Paços de Ferreira

28/06/2026, 0:00 h

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Porto, Ermesinde e o Sagrado Coração: a missão da Beata Maria Droste

Opinião Sérgio Carvalho Religião

Geografia portuguesa do Sagrado Coração (I)

No coração da espiritualidade católica existe uma devoção profundamente humana e profundamente divina: o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Mais do que uma imagem piedosa ou uma tradição do mês de junho, esta devoção revela o próprio centro do Evangelho: Deus ama a humanidade com um amor concreto, misericordioso, reparador e apaixonado. A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus celebra-se sempre na sexta-feira da semana seguinte à Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, setenta dias após a Páscoa.

Por Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

 

Ao longo dos séculos, a Igreja aprofundou esta espiritualidade através de santos, místicos e acontecimentos que ajudaram os cristãos a compreender que o Coração de Cristo continua a pulsar pela humanidade ferida. Em Portugal, essa mensagem encontrou uma expressão singular através da Beata Maria do Divino Coração, conhecida como Maria Droste zu Vischering.

 

O culto ao Sagrado Coração nasce da contemplação do lado aberto de Cristo na Cruz. O Evangelho de São João relata que do lado de Jesus «brotou sangue e água», sinal do amor redentor de Deus e fonte dos sacramentos da Igreja. Mais tarde, no século XVII, Santa Margarida Maria Alacoque difundiu os apelos do Sagrado Coração: oração, reparação, comunhão frequente e confiança na misericórdia divina.

 

Foi precisamente neste contexto espiritual que surgiu a figura de Maria Droste. Religiosa do Instituto do Bom Pastor, viveu no Convento do Bom Pastor, no Porto, e tornou-se uma das maiores apóstolas do Sagrado Coração. Convencida de que Cristo desejava uma renovação espiritual da humanidade, escreveu ao Papa Leão XIII pedindo a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus.

 

 

 

 

O pedido foi acolhido. Em 1899, Leão XIII realizou a consagração universal, classificando-a como «o ato mais importante do meu pontificado». Este acontecimento marcou profundamente a história da Igreja e da espiritualidade moderna.

 

A ligação entre o Porto e esta devoção é, por isso, única. Maria Droste compreendeu que o amor do Coração de Jesus não se destinava apenas à devoção privada, mas deveria transformar famílias, comunidades e nações. A sua vida de oração, sofrimento oferecido e confiança absoluta em Deus tornou-se um testemunho de reparação e entrega.

 

Hoje, as relíquias da Beata Maria do Divino Coração encontram-se na Igreja do Bom Pastor, em Ermesinde. Este templo constitui um dos mais importantes centros portugueses de espiritualidade ligada ao Sagrado Coração de Jesus, acolhendo peregrinos e devotos que procuram aprofundar a mensagem deixada por aquela que contribuiu decisivamente para a consagração do mundo ao Coração de Cristo.

 

A história, porém, não termina em Ermesinde. Algumas décadas mais tarde, a mesma mensagem encontraria novo eco em Fátima e, posteriormente, na vida da Beata Alexandrina de Balazar.

 

 

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