10/05/2026, 0:00 h
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OPINIÃO POLÍTICA
Por Célia Carneiro (Presidente de Mulheres Social Democratas de Paços de Ferreira)
Mas Abril não vive apenas na memória histórica. Vive na forma como continuamos, todos os dias, a aprofundar a democracia e a tornar as instituições mais representativas da sociedade que servem.
Na última Assembleia Municipal Comemorativa de Paços de Ferreira, aconteceu um momento com esse simbolismo, pela primeira vez, uma mulher interveio naquela sessão na qualidade de Presidente de Junta, em representação do PSD. Mas houve um outro detalhe igualmente relevante, os discursos das três bancadas políticas foram, nessa sessão, proferidos por três mulheres.
À primeira vista, pode parecer apenas um detalhe. Não é. Os símbolos importam porque revelam evolução, mudança e abertura. Mostram que a democracia não é uma realidade concluída, mas um processo em permanente construção. Durante décadas, a participação política e o exercício de cargos de liderança foram espaços maioritariamente masculinos. Não por ausência de competência, visão ou dedicação das mulheres, mas porque os caminhos nem sempre estiveram verdadeiramente abertos.

Hoje, felizmente, a realidade é diferente. Ainda longe da perfeição, mas diferente. Ver mulheres assumir funções de liderança local, intervir, decidir e representar comunidades não deve ser entendido como exceção nem como conquista isolada. Deve ser visto como sinal de maturidade democrática. Mais do que ocupar lugares, trata-se de contribuir com competência, sentido de responsabilidade e compromisso com a causa pública.
A política local continua a ser um dos espaços mais nobres de serviço. É onde os problemas têm rosto, nome e proximidade. Onde se governa mais perto das pessoas e onde as decisões têm impacto direto no quotidiano das famílias. Por isso, cada passo que reforça a diversidade, a participação e a representatividade das instituições é também uma forma de honrar Abril. Não porque a democracia se esgote na presença de mulheres ou homens em cargos públicos, mas porque uma democracia mais plural é, inevitavelmente, uma democracia mais rica. Abril ensinou-nos que liberdade não é um ponto de chegada. É responsabilidade. É participação. É compromisso.
Cumpre-nos, agora, continuar esse caminho com a consciência de que a melhor homenagem ao 25 de Abril não está apenas nas palavras ou nas cerimónias, mas na forma como fazemos viver diariamente os seus valores. Porque Abril não é apenas uma data. É um exercício permanente de construção democrática. A democracia fortalece-se quando cria espaço para mérito, participação e renovação.
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