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Gazeta Paços de Ferreira

12/07/2026, 0:00 h

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Um Governo Reformista

Joaquim Leal Opinião

OPINIÃO

Há por aí umas pessoas que não fazem a mínima ideia de como se deve governar, mas quando se fala em reformas de Estado refilam, contestam as medidas em si e os seus princípios, como se reformar fosse mau, prejudicasse os cidadãos. Ninguém os entende.

Por Joaquim António Leal

 

Se, por um lado, se opõem às reformas, por outro, pedem que se antecipe a idade da reforma (esta já lhes interessa, não é?), concedendo aos trabalhadores um tempo extra para gozarem dum merecido descanso depois duns tantos anos de serviço. Cá para mim, tais críticas só podem derivar do prazer de ser do contra, porque quem governa dá o seu melhor.

 

Recentemente, o Governo quis reformar o Código do Trabalho, facilitar os despedimentos, e que fez essa gente? Votou contra. Essas pessoas não perceberam a bondade do diploma, não entenderam que abrindo a possibilidade de os patrões porem os empregados na rua não os iria prejudicar, antes lhes permitiria aderir ao fundo de desemprego, podendo ir descansar mais cedo, e, porventura, antecipar a idade da reforma por já terem uma determinada idade. Iriam ganhar uma pensão bastante menor do que o vencimento? Certamente. Porém, o que vale uma redução do rendimento em 40 ou 50 por cento, comparativamente com o tempo livre que se ganha até ao fim da vida? Bem vistas as coisas, o encolhimento do salário até facilitaria a assunção duma vida mais regrada, mais saudável, com menos vícios.

 

 

 

 

Mas um governo verdadeiramente reformista não se fica, antecipa-se em vez de correr atrás do prejuízo, pelo que, mesmo antes de se submeter ao escrutínio do Parlamento, lá foi avançando com as reformas mais urgentes. Na saúde, por exemplo, cuidava-se das pessoas e, naturalmente, gastava-se dinheiro mais ou menos de acordo com o serviço prestado. Podia-se lá continuar com isso, a tratar toda a gente por igual? Razão tinha uma tal Manuela Ferreira Leite (do partido do governo) que dizia que tratar velhos com mais de setenta anos era um desperdício, não compensava. Quem tivesse dinheiro que fosse para os hospitais privados, quanto aos outros, que se desunhassem. Morreriam alguns mais cedo? Não é só nas guerras que os danos colaterais acontecem.

 

Quanto ao ensino, dizem que está um caos, mas, entenda-se, não é culpa do ímpeto reformista em curso. As últimas medidas até permitem poupar uns bons trocados com a correção dos exames nacionais. Ninguém sabe quando nem como serão as provas dos alunos corrigidas, talvez o sejam com menos qualidade que o costume, mas isso é um problema com pouca importância.

 

 

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