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Gazeta Paços de Ferreira

07/11/2026, 10:29 h

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A vitória de quem nunca desistiu de marcar

Desporto Futebol Opinião Pedro Queirós

DESPORTO

O futebol não é uma ciência exata. E por isso a escolha da Bola de Ouro é sempre subjetiva…

Por Pedro Queirós

 

Passamos quinze anos a discutir Messi e Cristiano Ronaldo e agora parece que nenhum candidato é suficiente bom, porque não se compara com nenhum daqueles dois monstros.

 

Messi, incompreensivelmente, ainda anda pelo top10… brincar ao futebol na MLS não pode ser só ignorado, porque fez um mundial bastante bom. Ronaldo também passa umas férias bem pagas na Arábia, mas já está fora destas lutas.

 

Hoje, os cabeças de cartaz são outros. Dembelé teve uma época de reinado abaixo daquela que lhe deu o troféu e no PSG surgem Kvaratskhelia  e Vitinha, um sem mundial porque a seleção não se apurou e outro com funções mais discretas do que aqueles que concorrem com ele; Lamine Yamal esteve muito bem no Barcelona, mas fez um mundial cinzento, condicionado por uma lesão, mas acabou campeão mundial; Mbappé e Haaland são os goleadores de serviço e estão mais associados a momentos de decisão, mas faltaram os títulos; Rodri foi o melhor do mundial, mas a época no clube foi fustigada por lesões. Michael Olise tem a irreverência, um jogo bonito, o domínio interno no Bayern, mas não foi figura maior… nem no clube nem na seleção.

 

A escolha foi Harry Kane. E bem. Porque foi o mais regular. 73 golos e 8 assistências em 65 jogos, figura maior do Bayern e líder de uma Inglaterra que fechou o pódio no mundial, Kane tem números e estatuto para ser coroado o melhor do mundo. 

 

Harry Kane passou anos a ser vítima de piadas por não ter títulos. O seu Tottenham ficou à porta em 2016 (Leicester campeão) e mal chegou ao Bayern viu o Leverkusen conquistar a Bundesliga. O avançado matou o borrego no ano seguinte com o título alemão, mas deu a machadada final agora, com a coroação de melhor jogador do planeta.

 

 

 

 

Este título – se assim o podemos chamar –, é também uma vitória de tempos que já lá vão. Num mundo cada vez mais feito por e para os media, para redes sociais, para viralizar… Harry Kane é um jogador à moda antiga. Treina, joga e marca golos. Não há notícias cor de rosa, não há polémicas, não há excentricidade. Há trabalho, há futebol e há golos… muitos. Kane tem 33 anos e é a prova que há sempre tempo para ser devidamente reconhecido, desde que nunca se deixe de acreditar.

 

Foi, de longe, um dos anos mais difíceis para escolher o vencedor e até o restante do top10, o que não é normal em ano do campeonato do mundo. Harry Kane ganhou sem ter conquistado nem a Liga dos Campeões nem o Mundial, o que abre novas e boas possibilidades para os anos seguintes… mas é cada vez mais notório que o mundo se prepara para uma nova discussão a dois: Yamal e Mbappé. O FC Barcelona vs Real Madrid começa a ter um cheirinho a Messi vs Ronaldo que tanta saudade deixou.

 

 

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