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Gazeta Paços de Ferreira

01/11/2026, 0:00 h

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Associação dos Amigos da Cadeia da Relação do Porto – (V)

Manuel Maia Opinião

OPINIÃO

Por Manuel Maia

 

Comecei esta série de artigos, dando conta da forma como esta Associação se formou e teve início. Associação da qual fiz parte e dei meu contributo, indicando dois nomes altissonantes para o seu enriquecimento: Prof. Dr. José Eduardo de Lima Pinto da Costa e o Jornalista Viale Montinho, respondendo assim à solicitação da Dra. Ilda Figueiredo.

 

Hoje vou terminar a série, transcrevendo a notícia que saiu a público no JN, aquando do término das obras.

 

A notícia reza assim:

 

“AMIGOS DA CADEIA DA RELAÇÃO PREOCUPADOS COM O SEU FUTURO”

 

“Que Futuro para a Cadeia da Relação”, foi o tema de um colóquio proposto por um grupo de amigos daquele extinto estabelecimento prisional que, para já, formam um grupo de certo modo “ad hoc”, liderado, entre outras personalidades pelo Procurador da República, Artur Costa e pela vereadora da Câmara Municipal do Porto, Ilda Figueiredo.

 

Antes do colóquio, no qual intervieram Helder Pacheco, Manuel Real, Silvestre Lacerda, Teresa Siza e Viale Moutinho, houve uma visita àquele edifício guiada pela historiadora Maria José Moutinho Santos que, de parceria com a delegada no Porto do IPPAR, Margarida Santos Coelho, escreveu o notável livro “Palácio da Relação e Cadeia do Porto”.

 

 

 

 

Percorrer os espaços, hoje recuperados, suas enxovias, e imaginar como viviam os presos naquela época, foi o principal aliciante desta visita guiada, sempre acompanhada pelos comentários de Maria José Moutinho Santos que, durante sete anos, procedeu a uma aturada investigação sobre a Cadeia da Relação. Essa experiência permitiu-lhe dar aos acompanhantes um retrato das épocas em que por ali passaram, por exemplo, Camilo Castelo Branco e José do Telhado.

 

Uma época em que os presos viviam naquele espaço carcerário amontoados, esfarrapados, muitos deles sem cama onde repousar. Todos eles mal alimentados e metidos num ambiente de miséria e degradação. Só nos anos 60 do século passado, os presos passaram a ter um espaço ao ar livre onde passar umas horas – e isto dará uma ideia do que era a Cadeia da Relação, só desactivada no ano da Revolução de Abril.

 

Por ocasião do segundo centenário da instalação do tribunal naquele edifício, o Grupo de Amigos da Cadeia pretende com estas e outras iniciativas, a anunciar brevemente  -  sensibilizar a opinião pública e os órgãos do poder político para uma utilização do edifício que leve em conta as suas enormes potencialidades como espaço polivalente de cultura, ligado à vida e história da cidade.”

JN. (Sic)

 

Nesta cerimónia, a meu lado, ficou o Dr. João Pires, Diretor de Serviços, em representação da Direcção Geral dos Serviços Prisionais. Perguntei-lhe se não queria ocupar um lugar nas primeiras filas. Respondeu-me que não porque estava a sentir-se mal. Ficamos, em pé, encostados à parede, ao fundo, no Pátio dos Presos, onde decorreu a cerimónia. Cerca de 20 minutos, após o início das cerimónias, pediu desculpa, mas dado o agravamento do seu estado de saúde, tinha que sair. E saiu. Foi a última vez que falamos. Dali foi para o hospital e do hospital para o cemitério.

 

Saudades, meu amigo! Sabes que não fui ao teu funeral, mas também sabes que passado cerca de 3 meses me desloquei, sozinho, propositadamente, ao cemitério de Vinhais, para estar uns momentos contigo.

 

 

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