29/08/2026, 0:00 h
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Desporto Futebol Opinião Pedro Queirós
DESPORTO
Por Pedro Queirós
O FC Porto não trouxe nada disso. As três jornadas disputadas mostram uma equipa que parece ainda disputar a época que terminou em Maio e que os coroou campeões. Todos os jogos são uma aula de como bem defender e de como controlar um jogo com bola… e às vezes sem ela. É um jogo perigoso, mas parece ser eficaz.
Se o FC Porto tinha carências na lateral esquerda e no ponta de lança… continua com elas. Zaidu (ainda) cumpre e André Silva é um claro upgrade a Deniz Gul, mas falta golo.
Na verdade, nunca foi um matador e não iria começar agora, mas oferece muito mais ao jogo, quer na ligação quer na capacidade de jogar de costas para a baliza. Para isso, há que envolver os extremos no processo de finalização e de chamar os médios à chegada à área. E o FC Porto aposta nisso.
Marcar cedo, baixar as linhas, dar a bola ao adversário, defender muito bem e tornar-se uma equipa de transições. O futebol é teoricamente fácil e Farioli sabe demonstra-lo. Se é bonito? Não. Chega a ser aborrecido e, para quem é adepto da equipa, dá nervos desnecessários, mas o resultado é que conta: 3 jogos, 6 golos marcados, 0 golos sofridos, 9 pontos, 1.º lugar isolado.
O problema deste estilo tão mecanizado é a aversão à qualidade irreverente, ou seja, a jogadores menos físicos e mais técnicos. Jogadores que seguem menos os livros e mais os pés. Aqueles que nos fazem gostar disto. Sim, é Rodrigo Mora.

Como é que um jovem passa de melhor jogador da equipa a um mero suplente em duas épocas? Não há espaço para a qualidade? É verdade que Rodrigo Mora é mole defensivamente e o seu jogo irreverente causa perdas de bola que podem colocar a equipa numa posição desfavorável.
Esse é grande argumento para que Farioli nunca o tenha visto como protagonista na sua equipa.
50 milhões no Dragão e Mora na Roma. Assunto arrumado. Se Mora vir vídeos de Papu Gomez saberá o que tem a fazer na equipa de Gasperini para poder chegar onde merece.
O FC Porto continua com problemas a enfrentar equipas em bloco baixo, continua com dificuldades no ataque posicional. É preciso desequilibrar a linha defensiva do adversário, mas sem criativos é difícil. O jogo com o Arouca foi prova disso, mas mais uma vez a equipa deu a volta nas transições, na pressão alta e na rápida reação à perda com que habitou os adeptos. Depois… linhas baixas, bola para o adversário circundar a área sem nunca criar muito perigo e baliza a zeros.
Esta época já há Liga dos Campeões no calendário e aquela alta rotatividade que Farioli operava na Liga Europa será mais difícil de conseguir, sobretudo com os mesmos resultados. O tempo dirá como vai correr, mas será difícil ver o FC Porto abdicar deste guião tão bem estudado.
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