14/07/2026, 14:28 h
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Opinião
Depois das tempestades que assolaram o país e deixaram um rasto de destruição, sobretudo no Centro, fomos contemplados com ondas de calor intenso, a ultrapassar os quarenta graus em algumas regiões, cobrindo o mapa de vermelho e de laranja.
Portugal veio a seguir a outros países europeus, onde não era suposto os termómetros registarem temperaturas infernais: França, Alemanha, Reino Unido, Países de Leste, com temperaturas de estorricar, também acima dos quarenta graus. Foram pasmosos os espectáculos que as televisões nos ofereceram durante muitos dias com pessoas a meterem-se debaixo de água de chuveiros e de esguichos de mangueiras de bombeiros, a atirarem-se para rios, lagos e reservatórios de água, a morrerem de calor pelas ruas, a pararem de trabalhar em ofícios executados ao ar livre.
Perante estes fenómenos, designados de “extremos”, é quase inevitável não considerá-los como consequência das alterações climáticas e do progressivo aquecimento da Terra, por efeito da camada de ozono. É certo que houve já noutras épocas temperaturas acima dos padrões normais e há pessoas sempre prontas a recordá-lo. Significa isso que as alterações climáticas são uma ficção?
Estou firmemente convencido que não, a avaliar pelo que dizem cientistas de todo o mundo. Nunca como agora se verificou uma crescente maré de degelo; nunca uma tão grande e progressiva perda de biodiversidade. É, além disso, preocupante a frequência dos tais “fenómenos extremos”, a indiciar uma perturbação séria dos ciclos naturais.
Por isso, parece-me que existe uma excessiva despreocupação em relação ao futuro próximo que se nos apresenta, quer por parte dos indivíduos, quer por parte dos Estados, sempre prontos, em convénios internacionais, para travarem ou fazerem recuar os limites que devem ser alcançados para se obter uma inversão ou pelo menos paragem dos efeitos nefastos já produzidos.
“Estamos a assistir a um afastamento silencioso das metas climáticas. Isto coloca-nos numa trajectória de desastre global” (Patrícia Espinosa, ex-secretária executiva da ONU para as alterações climáticas, in “Público” de 19/05/2026).
É também por isso que considero criminosas as políticas que aberta ou intencionalmente contrariam, como no caso de Trump, as medidas que a ciência aconselha para salvarmos o planeta enquanto casa habitável dos seres humanos ou, mais exactamente, de todos os seres vivos.
Artur Costa (Juiz-Conselheiro jubilado, ex-colunista do JN)
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