18/07/2026, 9:56 h
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Desporto Futebol Opinião Pedro Queirós
DESPORTO
Por Pedro Queirós
No último texto tinha escrito que este campeonato do mundo estava a seguir a lógica do mundial de 2010… Portugal confirmou essa lógica e foi eliminado pela Espanha, tal como há 16 anos. E claro que foi uma desilusão. Porque parte de mim estava iludido. Estava eu, estava você, estávamos todos… nem que fosse só um pouco, mas lá fundo acreditávamos que a bola havia de bater nalgum lado e entrar para continuarmos agarrados ao terço mais uns dias.
É claro para todos que esta participação foi um fracasso. A chamada “melhor geração de sempre” não convenceu num único jogo. E atenção! Eu também concordo que esta é uma das melhores gerações de sempre… mas no banco estava o pior selecionador nacional de que tenho memória.
Como é possível termos, mesmo que na teoria, o melhor meio campo de sempre e a estratégia passa por abdicar de ter bola para jogar em transição? É castrar completamente as características dos nossos melhores jogadores. Quando estamos perante uma candidata a vencer a competição cujo melhor em campo é consecutivamente o guarda redes… está tudo dito.
Roberto Martinez confirmou a saída logo após o final do jogo. Pena é ter sido com um ano de atraso e ter sabotado uma presença na maior competição do mundo. Depois, mais um recital de frases feitas, lembranças bonitas do passado e uma tentativa de embelezar um completo fracasso.

Nós não precisamos que o treinador nos diga que a equipa teve “coragem” ou que “falhar é não tentar”. Precisamos é que ele explique porque não quis ter bola, porque abdicou constantemente de quem tem a capacidade de jogar pelo meio e entre linhas, porque gerou de forma deficiente a equipa com especial destaque para Cristiano Ronaldo, porque guardou Gonçalo Ramos para um suposto prolongamento se o jogo tem 90 minutos e é possível ganha-lo dentro desse tempo.
Roberto Martinez não conseguiu criar identidade. Essa foi a sua maior falha. O problema não foi Cristiano Ronaldo, foi a bola não chegar à zona dele.
Terminamos o jogo contra a Espanha com dois remates à baliza… e também é importante referir que o nosso caminho na fase a eliminar se complicou porque, para além de uma fase de grupos bem abaixo do esperado, ainda ouvimos o nosso selecionador dizer que não há grande diferença em ficar em primeiro ou segundo do grupo.
Todos sabemos que havia… tal como havia importância em vencer a Colômbia e aquilo que tivemos foi um espetáculo sofrível que cheirou a pré-temporada por todos os lados, porque o apuramento estava garantido.
Segue-se Jorge Jesus. A esperança foi devolvida e é, de longe, um nome bem mais consensual para o cargo. O mais certo é perder a maior referência dos últimos anos, mas tem mais do que capacidade para dar um novo rumo à nossa seleção.
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